Morales diz que Exército agirá para evitar divisão do país

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que será usada força militar para combater qualquer tentativa de divisão no país andino, onde vêm crescendo, nos últimos dias, os pedidos por autonomia regional.Morales, esquerdista, acusa a elite rica que se opõe às suas reformas de tentar dividir a Bolívia, através de campanhas por mais autonomia em quatro das nove regiões do país."Estes inimigos da Bolívia entendem que autonomia é secessão, separação da Bolívia, e não haverá nenhuma divisão, nenhuma separação na nossa pátria, as forças armadas estão aí", disse Morales a cerca de 40.000 simpatizantes em um encontro de ativistas sociais na cidade de Cochabamba, no centro do país, na noite de sábado.O encontro aconteceu paralelamente à reunião oficial de presidentes sul-americanos, incluindo o venezuelano Hugo Chávez, aliado próximo de Morales que afirmou que a Venezuela "não ficará impassível" diante de ações direcionadas a desestabilizar o governo vizinho."Aqui estamos, com vocês, resistindo à agressão, porque sentimos ser nossa responsabilidade", disse Chávez à multidão, em um estádio de Cochabamba.Nesta semana ocorreram manifestações pró-autonomia na região rica de Santa Cruz, com alguns episódios violentos. Líderes locais retomam, agora, as exigências de mais independência regional em relação ao governo de La Paz.Os líderes convocaram um encontro público para sexta-feira, quando vão decidir suas próximas medidas. Líderes das regiões de Pando, Tarija e Beni estão organizando reuniões parecidas na próxima semana.Nestas regiões há forte oposição a algumas políticas de Morales, como o plano de redistribuir terras para camponeses.Tanto Morales quanto Chávez acusam Washington de conspirar com a oposição."A luta continua contra o imperialismo norte-americano...o povo, junto com as forças armadas e seu governo, nunca permitirá que boicotem este processo de mudança", disse Morales, primeiro presidente de origem indígena na Bolívia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.