Morales nega que presidente da YPFB tenha pedido demissão

O presidente boliviano, Evo Morales, negou, falando ao vivo na televisão, que o presidente da estatal petrolífera YPFB tenha pedido demissão, alegando não ter o apoio necessário para seguir em frente com a nacionalização do setor energético."Não há renúncia. Eu não recebi absolutamente nada", disse Morales.Segundo uma cópia de uma suposta carta de demissão que vazou para a imprensa local na sexta-feira, a qual a Reuters também teve acesso, Juan Carlos Ortiz, presidente da Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos, nomeado há quatro meses, pediu demissão.DiálogoNa tarde desta sexta-feira, enquanto multidões se concentravam nas capitais departamentais de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, o presidente boliviano, Evo Morales, convocou os governadores e líderes cívicos dos nove departamentos (Estados) do país para um diálogo sobre o sistema de votação da Assembléia Constituinte - principal ponto de divergência entre o governo e a oposição da Bolívia."Essa foi uma decisão tomada em conjunto pelo presidente da república e pelos deputados constituintes", afirmou o líder da bancada governista na assembléia e dirigente do partido Movimento ao Socialismo (MAS), César Navarro. "Há uma predisposição de nos reunirmos com dirigentes cívicos e governadores em Sucre."É a primeira vez que o MAS, que tem 137 dos 255 deputados constituintes, aceita discutir a fórmula de votação dos artigos da futura Constituição desde que aprovou o regimento interno da assembléia, que lhe permite aprovar medidas por maioria de 50% mais um dos votos. A oposição insiste na necessidade da maioria de dois terços para todas as fases da redação da nova Carta.Em protesto contra o "rolo compressor" do MAS na assembléia, líderes e militantes de partidos contrários a Evo iniciaram uma greve de fome há dez dias. Na quinta-feira, 14, eles suspenderam a greve de fome para prepararem as assembléias populares desta sexta nos quatro departamentos que demandam autonomia.Segundo Navarro, o encontro com os líderes departamentais se realizará em Sucre, capital oficial do país e onde a Assembléia Constituinte foi instalada em agosto. "O objetivo do encontro não é simplesmente modificar o artigo 70 (do regimento interno, que estabelece a forma de votação), mas garantir que o texto do projeto de Constituição esteja pronto em 6 de agosto de 2007 (prazo legal para o fim dos trabalhos)", afirmou Navarro.

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