Morales pede apuração de suposta fraude em eleições

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que pediu à Corte Nacional Eleitoral que investigue as denúncias de suposta fraude nas eleições regionais de domingo, nas quais seu partido obteve resultados menores do que o esperado. Ele não descartou a hipótese de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), abrir processos contra os juízes eleitorais.

AE-AP, Agência Estado

06 de abril de 2010 | 18h06

"Peço ao tribunal eleitoral que revise e corrija esta fraude e peço a participação da comunidade internacional", disse Morales em coletiva em imprensa no intervalo de uma reunião de gabinete e de altos funcionários convocada para dar novo impulso a seu governo após a estreita vitória nas eleições para governador e prefeito.

A declaração foi feita hoje, depois que Morales tomou conhecimento das denúncias feitas pela ex-miss Bolívia Jessica Jordán, candidata do governo na província oriental de Beni. Ela disse que seu voto desapareceu da urna onde votou. "Estou surpreso com as denúncias da companheira Jordán e enviei um grupo de advogados" a Beni, disse o presidente. "O comportamento dos tribunais eleitorais de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija limitam-se a esses delitos. Por ora, nossa tarefa é defender o voto, depois serão tomadas ações penais", afirmou.

Jordán disse aos meios de comunicação locais que, na mesa onde votou no domingo, não havia um só voto a seu favor, nem sequer o seu próprio. As projeções de diferentes redes de televisão davam a vitória em Beni ao opositor conservador Ernesto Suárez, que concorreu à reeleição. A Corte Nacional Eleitoral não se pronunciou a respeito das denúncias e anunciou que anunciará os resultados oficiais finais em dez dias.

Protestos e recontagem

Nesta terça-feira, militantes governistas protestaram na frente da Corte Eleitoral de Beni, onde era feita a recontagem das atas de votação. Denúncias de fraude também foram feitas de Tarija contra o candidato do governo, que ficou em segundo lugar por uma pequena margem em relação ao vencedor, o opositor Mario Cossio.

Segundo as projeções, o partido de Morales perdeu governos departamentais (estaduais) e prefeituras de Santa Cruz, Beni e Tarija, regiões dominadas pela oposição conversadora, mas venceu em La Paz, Oruro, Cochabamba, Potosí e Chuquisaca. No departamento de Pando a recontagem foi suspensa por denúncias de fraude tanto do governo quanto da oposição.

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