Morales promete acabar com o racismo na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta segunda-feira, 1º, que um dos principais objetivos de seu governo será acabar com o racismo no país andino, onde mais da metade dos 9 milhões de habitantes é de origem indígena.Morales fez, a zero hora de segunda-feira (horário local), um brinde no Palácio Quemado de La Paz pela chegada do ano novo, numa reunião extraordinária com seus ministros e que foi transmitida por rádio e televisão. "Não é possível que ser indígena e colla (denominação atribuída aos habitantes das terras altas da Bolívia) seja um delito para o nosso país", disse."Todos temos os mesmos direitos, os mesmos deveres em nossa terra; a única coisa que buscamos aqui (no palácio do governo) é que essas desigualdades se reduzam permanentemente e também entre os países, para que exista igualdade", acrescentou.O ressurgimento do racismo na Bolívia ocorreu no segundo semestre do ano passado, devido a mobilizações no rico departamento (Estado) de Santa Cruz, situado 900 quilômetros ao leste de La Paz, para obter uma autonomia plena.Morales foi excluído de uma lista de convidados para a inauguração de uma feira internacional realizada anualmente em Santa Cruz de la Sierra, e em outra ocasião escapou de uma agressão após uma visita ao campus da universidade pública daquele departamento."Queremos acabar com a injustiça, com a desigualdade, com o racismo e o ódio que ainda existe", disse o governante, de origem indígena.A autonomia plena demandada por Santa Cruz pode fazer fracassar a assembléia constituinte que pretende a refundação da Bolívia, como projetou Evo Morales.A constituinte boliviana não aprovou, em cinco meses, nenhum artigo da nova Constituição do país, porque a oposição deseja aplicar os dois terços de votos para a aprovação, enquanto a situação quer uma fórmula mista (maioria absoluta e dois terços). Nesta semana, o Movimento Ao Socialismo (MAS), partido de Morales, convocou a duas assembléias populares, em Cochabamba e El Alto, cidade vizinha a La Paz e que em outubro de 2003 liderou uma mobilização que obrigou Gonzalo Sánchez de Lozada a renunciar à presidência da Bolívia.Nas assembléias populares da sexta-feira, em Cochabamba, e do domingo, em El Alto, serão definidos o tipo de votação que se aplicará na assembléia constituinte, que reiniciará seus trabalhos no próximo dia 8 em Sucre, capital oficial da Bolívia.

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