Morales recebe bastão de comando do movimento indígena do Equador

O presidente boliviano, Evo Morales, recebeu em Quito o bastão de comando do movimento indígena equatoriano e, com ele, a missão de liderar transformações profundas em seu país e na América Latina.Morales participou terça-feira da cúpula da Comunidade Andina (CAN) na capital equatoriana, e aproveitou sua visita a Quito para assistir a uma cerimônia de posse das novas autoridades da Organização de Povos Indígenas da etnia Kichwa do Equador (Ecuarunari).A organização faz parte da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), cujo presidente, Luis Macas, entregou a Morales o bastão de comando. Foi uma cerimônia ritual, na qual os líderes indígenas invocaram os espíritos de seus antepassados para guiar o presidente boliviano.Macas, que é candidato à presidência do Equador, entregou a Morales um poncho no qual, segundo disse, estão impregnados os espíritos que regem a cosmologia indígena dos Andes. O presidente da Conaie explicou que o bastão e o poncho entregues a Morales estavam carregados das energias positivas de lagos e montanhas equatorianas, como o Taita ("pai", em quíchua), Chimborazo, a mãe, Tungurahua, Cotacachi e Cotopaxi.Revolução necessáriaA força dos vulcões, segundo Macas, permitirão a Morales "fazer a revolução necessária hoje". O presidente da Ecuarunari, Humberto Cholango, desejou sucesso a Morales e disse que sua chegada ao poder encoraja os povos indígenas e todos os movimentos sociais do continente.Cholango disse que os povos indígenas estão cansados da pobreza, da marginalização e do extermínio a que têm sido submetidos nos últimos 512 anos, desde a conquista espanhola. Segundo Cholango, chegou a hora de trocar "a resistência pela ofensiva", para que os grupos marginalizados e a esquerda cheguem ao poder, de forma a "defender a soberania" e empreender "uma luta para nacionalizar os recursos naturais".Morales, ovacionado por quase 5 mil pessoas, disse que chegaram dias melhores para os movimentos indígenas e sociais da América Latina. Ele se comprometeu a levar adiante um processo de unidade dos movimentos indígenas e de outros grupos sociais que "lutam contra o imperialismo" americano. O presidente boliviano não hesitou em dar seu apoio a Macas para as eleições gerais de outubro.Morales, que também foi abençoado pelo "fogo sagrado" dos kichwas equatorianos, disse que os indígenas são "a reserva moral do mundo", porque se regem pelas leis ancestrais de "não matar, não roubar e não ser ocioso".

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