Morales se apóia nos militares para governar, diz jornal

O presidente da Bolívia, Evo Morales, decidiu fortalecer as Forças Armadas ao dar-lhes mais funções, verbas e equipamentos, e exalta constantemente os militares, fundamentais para sua permanência no poder, informou a edição deste domingo do jornal boliviano La Razón.Segundo uma reportagem da publicação, Morales aumentará o orçamento militar a partir de 2007, instalará bases em áreas fronteiriças com o apoio da Venezuela e dará às Forças Armadas participação em "macrodecisões" governamentais.O presidente boliviano "tornou as Forças Armadas o principal sustento de suas medidas de transformação", disse a reportagem."Crítico dos militares durante sua época de sindicalista, hoje Morales vê que seu projeto de mudança não tem sentido sem as Forças Armadas", acrescentou o jornal.Em entrevista à publicação, o ministro da Defesa, Walker San Miguel, disse que "as Forças Armadas não exercem atividade partidária nem podem fazê-lo, mas, sim, intervêm em macrodecisões, acompanham o processo democrático, o processo constituinte e as decisões do governo".Como exemplo, o ministro disse que os comandantes militares se reúnem com funcionários do Ministério das Relações Exteriores para analisar a reivindicação ao Chile de uma saída para o Pacífico (a Bolívia perdeu sua costa em uma guerra com esse país há mais de um século).Ainda segundo San Miguel, há uma proposta para que a Assembléia Constituinte instalada no dia 6 de agosto crie um Fundo de Defesa Nacional com aportes diretos do Tesouro público para a renovação e a reposição de equipamentos militares.Também é estudada a possibilidade de entregar aos militares 2% (entre US$ 8 milhões e 9 milhões) do que for arrecadado com o imposto sobre os hidrocarbonetos.Tudo isso, esclareceu o ministro, levará tempo, e embora neste ano o aumento dos recursos militares "será mínimo", no próximo o aumento do orçamento para equipamentos e a cooperação internacional permitirão "Forças Armadas dignas".A respeito dos planos para novas bases militares em regiões fronteiriças, o La Razón destacou a criação de uma unidade de elite na Amazônia, com 2.500 homens, e um aeroporto, que será instalado com o apoio da Venezuela.

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