Rodrigo Buendia/AFP
Rodrigo Buendia/AFP

Moreno começa desmonte de aparato protecionista de Correa no Equador

Deixarão de ser cobrados o aumento no Imposto de Valor Agregado e barreiras tarifárias para importações, adotados pelo antecessor para combater queda do petróleo e terremoto de 2016

O Estado de S.Paulo

31 Maio 2017 | 18h09

QUITO - Após uma semana do presidente Lenin Moreno no cargo, o governo do Equador retira na quinta-feira, 1, uma série de medidas protecionistas da economia que tinham como objetivo impedir o déficit comercial provocado pela queda do petróleo e recuperar o país dos efeitos do terremoto do ano passado, que deixou 670 mortos na costa equatoriana

Segundo o Ministério do Comércio Exterior, deixarão de ser cobrados o aumento de dois pontos porcentuais no Imposto de Valor Agregado (IVA) ao consumidor e barreiras tarifárias para importações. 

A primeira medida implicou a arrecadação de US$ 681 milhões. Com a segunda, uma tarifa de 32% sobre as importações do país levou o governo a conseguir US$ 1,53 bilhão. As cobranças, no entanto, provocaram protestos de importadores e consumidores, bem como da oposição ao então presidente Rafael Correa. 

As duas medidas eram temporárias e venceriam este ano, mas a nova administração decidiu não pedir sua prorrogação. O governo anunciou também  a venda de US$ 2 bilhões em títulos da dívida pública, anunciada pelo presidente.

Desde 2009, o Equador tenta controlar o déficit em sua balança comercial. Empréstimos em troca de petróleo como garantias feitos junto à China também serviram para equilibrar as contas até o início da recessão no país, no ano passado. 

Na segunda-feira, Moreno, afilhado político de Correa, prometeu dar ênfase ao setor privado e na economia popular para tirar o país da recessão. Diferentemente do antecessor, que frequentemente partia para o embate com seus críticos, o presidente tem adotado um tom conciliador e anunciou a criação de um Conselho Produtivo, composto por representantes do setor privado. 

As medidas econômicas de Moreno foram criticadas tanto pelo líder opositor Guillermo Lasso, a quem ele derrotou na eleição deste ano, quanto por Correa. Enquanto Lasso desdenhou da venda de títulos da dívida, o presidente alertou para o risco da retirada das barreiras tarifárias e do corte no IVA. 

 

“Nova dívida. A austeridade prometida na posse começou assim”, criticou Lasso  no Twitter. “Ficou apenas no discurso de posse.”

Correa, por sua vez, escreveu, na mesma rede social, que a retirada das barreiras e o corte no IVA podem ser prejudiciais. “O corte no IVA e o fim das barreiras, a maior liquidez na economia e uma demanda represada podem criar graves problemas de conta corrente do setor externo”, disse. / EFE e REUTERS

 

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