Rodrigo Buendia/AFP
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Moreno diz que Assange é um hacker, mas pode ficar em embaixada

Presidente do Equador, que tomou posse neste mês, divergiu de seu antecessor e mentor Rafael Correa, que havia dito que Assange é um 'jornalista' e lhe concedeu asilo em Londres em 2012 para evitar uma extradição à Suécia devido a alegações de estupro

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2017 | 18h26

QUITO - O novo presidente de esquerda do Equador, Lenín Moreno, disse nesta segunda-feira, 29, que Julian Assange é um "hacker", seus comentários mais fortes até hoje sobre o fundador do site WikiLeaks, mas enfatizando que ele pode continuar morando na embaixada de seu país em Londres.

Moreno, que tomou posse neste mês, divergiu de seu antecessor e mentor Rafael Correa, que havia dito que Assange é um "jornalista" e lhe concedeu asilo em Londres em 2012 para evitar uma extradição à Suécia devido a alegações de estupro.

Assange, que nega as alegações, temia que a Suécia o entregasse aos Estados Unidos, onde seria processado devido à publicação de milhares de documentos militares e diplomáticos confidenciais no WikiLeaks, um dos maiores vazamentos de informação da história dos EUA.

Durante a campanha, Moreno já havia adotado uma postura mais dura com Assange, alertando-o a "não intervir na política" de países que simpatizam com o Equador.

"O senhor Assange é um hacker. Isto é algo que rejeitamos, e eu pessoalmente rejeito", disse Moreno aos jornalistas nesta segunda-feira. "Mas respeito a situação em que ele está, que pede respeito a seus direitos humanos, mas também pedimos que ele respeite a situação em que está."

Assange escapou de uma ordem de despejo na eleição equatoriana de abril, já que o candidato de direita que prometeu expulsá-lo da embaixada perdeu para Moreno.

Apesar disso, a eleição presidencial acirrada ressaltou o quão vulnerável Assange está caso um novo governo tome posse.

Em maio, procuradores suecos encerraram sua investigação sobre as alegações de estupro, mas a polícia do Reino Unido disse que Assange será preso mesmo assim se deixar a embaixada onde se refugia há cinco anos. / Reuters

 

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