Rodrigo Buendia/AFP
Rodrigo Buendia/AFP

Moreno e direita minam apoio a Correa em plebiscito no Equador

Partidários do ex-presidente esperam que apoio ao correísmo chegue pelo menos a 30% do eleitorado do Equador após plebiscito

O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2018 | 22h26

QUITO  - A aproximação de ocasião entre o presidente do Equador, Lenín Moreno, e representantes da direita do espectro político equatoriano fizeram ontem com que os partidários do ex-presidente Rafael Correa, rompido com o sucessor, projetassem o apoio ao correísmo a, no máximo, 30% do eleitorado.

+ Plebiscito define reformas no Equador 

Ontem, os equatorianos votaram num plebiscito para responder a sete perguntas em um plebiscito sobre reformas na Constituição. Uma delas poderia barrar Correa de voltar ao Palácio de Carondelet – uma ameaça que uniu Moreno a adversários históricos do ex-presidente.

“30% dos votos contrários às propostas do plebiscito já seria uma vitória enorme da revolução cidadã”, avaliou a principal estrategista de Correa, Gabriel Rivadeneira. “Mesmo com todas as forças políticas em oposição ao nosso projeto e a imprensa em uníssono contra nós, conseguiríamos manter o nosso núcleo duro.”

A deputada, no entanto, estimou que um rechaço igual ou menor que 20% à agenda de Moreno representaria uma derrota difícil para o ex-presidente. Correa retornou ao Equador para desafiar Moreno pelo comando do partido e perdeu, em meio a denúncias de corrupção atingindo aliados próximos seus, como o vice-presidente Jorge Glas. 

+Ex-presidente do Equador é convocado para depor em investigação sobre venda de petróleo

“Sendo bastante realistas, nosso objetivo nessa consulta era manter nossa base de apoio mais leal durante esses dez anos”, acrescentou a deputada. 

A ruptura de Moreno com Correa, ainda no ano passado, rendeu popularidade ao presidente e apoios inusitados. Eleito no segundo turno e em uma disputa apertada com o opositor Guillermo Lasso, o presidente fez uma série de acenos a setores mais conservadores e distanciou-se das posições mais “bolivarianas” do padrinho político. O ápice da ruptura foi a consulta de ontem, na qual uma das perguntas do plebiscito – que põe fim ao limite de lucro imobiliário estabelecido em 2009 – era uma reivindicação antiga da oposição a Correa.

Lasso, que também foi derrotado por Correa nas eleições de 2013, formou uma aliança informal com a facção de Moreno dentro do partido Alianza País, fundado por Correa, durante seus dez anos à frente do país. 

Ontem, Lasso elogiou a consulta, mas deu sinais de que, com a possível derrota política do correísmo, passaria a uma posição mais crítica em relação a Moreno. 

“Hoje termina a fase de perguntas e começa a fase de respostas”, disse Lasso, em referência ao plebiscito. “Continuaremos com a nossa luta democrática e, se necessário, iremos às ruas pela nossa agenda.”

+ Referendo sobre reeleição definirá futuro político de Correa no Equador

Outro opositor do correísmo, o ex-candidato presidencial Dalo Bucarán, também celebrou a consulta e a união de ocasião com o atual presidente como uma possível derrota política do ex-presidente. 

“Confio que teremos mais liberdade neste país e deixaremos para trás dez anos de uma história obscura. Um governo que foi um pesadelo e colheu o que plantou”, disse. “Espero que o presidente entenda a necessidade de mudança e mantenha o diálogo.”/ AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.