Morre a jovem que recebeu órgãos incompatíveis nos EUA

JesicaSantillán, a jovem mexicana que havia se submetido a duasoperações consecutivas de transplante de coração e de pulmão nosEUA, depois de receber na primeira delas órgãos incompatíveiscom seu tipo sangüíneo, morreu no final da tarde deste sábado. Horas antes, os médicos do Duke University Hospitalhaviam anunciado a morte cerebral de Jesica - que na sexta-feirajá sofrera danos cerebrais "graves e irreversíveis", segundo oporta-voz do hospital. No início desta tarde, um dos porta-vozes locais haviaadmitido que o sangue já não fluía no cérebro de Jesica, de 17anos, que viveu toda uma aventura para chegar aos EUA e seroperada. O desenlace, que, segundo se estima, dará origem a umsonoro caso judicial, põe um ponto final à longa trajetória daadolescente que ganhou notoriedade em nível nacional desde oinício da semana, quando se soube que, supostamente devido a umerro administrativo, os médicos do hospital universitário haviamenxertado na adolescente, na primeira operação em 7 de fevereiro, órgãos de um doador de tipo sangüíneo diferente. Após explodir o escândalo, as autoriddes do hopsitalconseguiram um novo doador - desta vez de tipo sangüíneocompatível- em apenas dois dias, enquanto que o primeiro par deórgãos havia demorado três anos para ser encontrado. Jesica, nascida em uma pequena localidade perto deGuadalajara, no México, mostrava desde os dois anos sinais defadiga, mas a enfermidade que a afligia só foi diagnosticadaquando tinha 12 anos - uma cardiomiopatia restritiva que lhedeixava poucas esperanças de vida. Foi então que os Santillán fizeram todos os esforçospossíveis para salvar a vida da filha, entre eles trabalhar duropara juntar os US$ 5.000 necessários para pagar o "coiote" queos ajudou a cruzar ilegalmente a fronteira com os EUA. Assaltados logo após entrarem em território americano,os pais de Jesica descobriram, ao chegarem ao estado da Carolinado Norte, que migrantes ilegais não tinham direito a cuidadosmédicos. Em favor da jovem se mobilizaram grupos de ajuda aosimigrantes e, finalmente,o empresariado, que criou uma fundaçãopara reunir os US$ 500.000 para pagar o transplante.

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