REUTERS/Johannes Eisele
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Morre aos 87 anos o pai da reunificação alemã

Ex-chanceler foi mentor político de Angela Merkel, mas se distanciou dela após perder o comando do partido em escândalo de corrupção

O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2017 | 12h45
Atualizado 16 de junho de 2017 | 19h30

BERLIM - Morreu nesta sexta-feira, 16, aos 87 anos, o ex-chanceler alemão Helmut Kohl, considerado o pai da reunificação alemã. A morte foi comunicada por seu partido, CDU, e pelo jornal Bild, cujos diretores eram próximos de Kohl. Chanceler entre 1982 e 1998, Kohl foi “uma sorte para nós, alemães, mudou minha vida de modo decisivo”, declarou a atual líder do país, Angela Merkel, referindo-se àquele que foi seu mentor político. 

“Ele permanecerá em nossa memória como um grande europeu, o chanceler da unidade” do país, disse a chanceler, que recebeu a notícia em Roma, onde deve se encontrar no sábado com o papa Francisco. Merkel, que cresceu na Alemanha Oriental, foi protegida política de Kohl após a reunificação. Em 1999, depois de uma batalha interna, ela o sucedeu à frente da União Democrata-Cristã (CDU), partido conservador. Kohl nunca a perdoou.

O jornal Bild, que foi o primeiro a anunciar a morte do ex-chanceler, informou que ele morreu na manhã desta sexta “em uma casa de Ludwigshafe am Rhein, no sudoeste do país”, cidade onde nasceu, em 1930. Ainda segundo o diário, ele estava acompanhado pela segunda mulher, Maike Kohl-Richter, nos momentos finais.

Integração.

Kohl era “a própria essência da Europa”, afirmou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Kohl foi “um dos maiores líderes da Alemanha do pós-guerra”, declarou o ex-presidente americano George H. Bush. 

Kohl, juntamente com o então presidente francês, François Mitterrand, foi um dos incentivadores da União Econômica e Monetária que culminou na criação do euro. Também foi ele quem criou as bases para uma ampliação da União Europeia para os países do leste do continente após o fim da Guerra Fria.

“Com François Mitterrand, Kohl forjou a unidade da Europa e aprofundou a relação franco-alemã”, disse o presidente francês, Emmanuel Macron, destacando a perda de “um grande europeu”. O ex-chanceler alemão tinha problemas de saúde e utilizava uma cadeira de rodas desde 2009. Já não aparecia em público e tinha dificuldades para falar. 

Kohl, uma figura colossal tanto por seu físico quanto por sua história, é o pai incontestável da Alemanha reunificada. Ele ficará na história por ter convencido o dirigente soviético Mikhail Gorbachev e George H. Bush, como também seus aliados europeus, a permitirem que a República Democrática Alemã (RDA) se unisse em 1990 à República Federal da Alemanha (RFA), após a queda do Muro de Berlim, ocorrida um ano antes.

Com a reunificação, chegou ao fim a ocupação militar da Alemanha, imposta em 1945 por Washington, Moscou, Paris e Londres, e foram assentadas as bases para o surgimento de uma Alemanha forte no cenário internacional.

 

Histórico. Quando, em 1982, aos 52 anos, Kohl assumiu as rédeas do governo da Alemanha Ocidental, favorecido por uma mudança de alianças no Parlamento, seu aspecto rústico e provinciano propiciou-lhe alguns apelidos sarcásticos.

Mas, em novembro de 1989, o Muro de Berlim é derrubado e o chanceler conservador, na época uma figura criticada dentro do próprio partido, endossa, segundo suas próprias palavras “o peso da História”. Em 28 de novembro, o católico praticante surpreende ao propor um plano de dez pontos para concluir a reunificação.

Mas o final da sua carreira foi menos glorioso, manchado por um escândalo de fundos ocultos do partido, que ele acabou admitindo. Merkel, sua protegida, aproveitou o episódio para assumir o poder. Em abril de 2016, Kohl criticou a política aberta à imigração de Merkel. 

Os sobressaltos de sua vida privada, expostos em livros e jornais – casos como desavenças com os filhos, polêmica sobre o papel da sua nova mulher após o suicídio da primeira, Hannelore, em 2001 – terminaram por obscurecer seus últimos anos de vida. / AFP

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