Morre aos 90 anos Reynaldo Bignone, o último ditador da Argentina

Morre aos 90 anos Reynaldo Bignone, o último ditador da Argentina

Morte de general, que cumpria prisão perpétua por crimes na ditadura, encerra brutal capítulo da história do país

O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 11h48
Atualizado 07 Março 2018 | 21h14

BUENOS AIRES  - Aos 90 anos, morreu nesta quarta-feira o generalReynaldo Bignone,  último ditador da Argentina, no Hospital Militar Central de Buenos Aires, por complicações pós-cirúrgicas. Ele cumpria várias penas, entre elas uma perpétua, por conspirar para sequestros e assassinatos de adversários durante seu governo, de julho de 1982 a dezembro de 1983.

+ Ex-ditador argentino, Bignone é condenado por roubo de bebês

A morte de Bignone encerra um brutal capítulo da história latino-americana. Grupos de direitos humanos afirmam que o regime militar foi responsável pelo “desaparecimento” – um eufemismo para sequestros e assassinatos de adversários – de cerca de 30 mil pessoas. A Argentina iniciou sua transição à democracia em 1983, com uma eleição convocada por Bignone.

O general foi responsabilizado pelo roubo de dezenas de bebês de seus pais biológicos, que haviam sido detidos pela ditadura ou tinham desaparecido. Ele também foi uma das 15 ex-autoridades militares culpadas em 2016 por um tribunal argentino de conspirar para sequestros e assassinatos de dissidentes da esquerda como parte da Operação Condor – na qual ditaduras na Argentina, no Chile, no Uruguai, no Paraguai, na Bolívia e no Brasil coordenaram-se para encontrar e matar adversários exilados nas décadas de 70 e 80.

Líderes militares na época disseram que a repressão que comandaram foi necessária para a Argentina confrontar grupos de guerrilha de esquerda. A credibilidade do governo foi enfraquecida durante a Guerra das Malvinas, com o Reino Unido, em 1982, na qual mais de 600 soldados argentinos morreram.

Bignone substituiu Leopoldo Galtieri na presidência após o fim da guerra, com a promessa de restaurar a democracia no país. Em dezembro de 1983, entregou o poder a Raul Alfonsín, eleito democraticamente.

Desde o início dos anos 2000, a Argentina realizou vários julgamentos por crimes cometidos durante a ditadura. Em 2017, 29 pessoas foram condenadas à pena perpétua por crimes na Escola Superior de Mecânica da Armada, usada como centro de tortura. / REUTERS e EFE

+ Argentina condena membros de Operação Condor por organização criminosa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.