Larry W. Smith / EFE
Larry W. Smith / EFE

Morre aos 94 anos George H. W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos

Republicano, que ocupou a Casa Branca entre 1989 e 1993, conduziu país nos últimos anos da Guerra Fria, ordenou invasão do Panamá e guerra contra Saddam no Golfo

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2018 | 03h25
Atualizado 02 Dezembro 2018 | 14h52

HOUSTON, EUA - O ex-presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush, que presidiu o país no fim da Guerra Fria, morreu em sua casa em Houston, no Texas, aos 94 anos. Bush tinha um dos mais impressionantes currículos da história política americana. Sua morte ocorreu às 22 horas de sexta-feira (2 horas da madrugada de sábado no Brasil) e foi anunciada em um breve comunicado de seu porta-voz, Jim McGrath

Bush era pai do ex-presidente George W. Bush, que ocupou a Casa Branca de 2000 a 2008. Os dois foram a segunda dupla de pai e filho no cargo – os primeiros foram John Adams (1797-1801) e John Quincy Adams (1825-1829). Outro filho do ex-presidente era Jeb, que foi governador da Flórida e perdeu as primárias republicanas para Donald Trump, em 2016 – derrota que causou o rompimento da família com o atual presidente. 

“Toda família Bush está profundamente agradecida pelo amor e vida do nosso 41.º (presidente), pela compaixão daqueles que se preocupavam com meu pai e rezaram por ele, e pelas condolências dos nossos amigos e cidadãos”, disse George W. Bush, em comunicado.

Em Buenos Aires para a cúpula do G-20, o atual presidente Donald Trump lamentou a morte de Bush. No comunicado, divulgado pelo Twitter, o republicano elogiou o ex-presidente por sua "liderança inabalável" e pela condução para uma "conclusão pacífica e vitoriosa da Guerra Fria". Na mesma rede social, o democrata Barack Obama afirmou que a “América perdeu um patriota e humilde servo”.

O velho Bush, deputado pelo Texas e ex-diretor da CIA, foi vice-presidente de Ronald Reagan durante oito anos, antes de ser eleito para a Casa Branca. Quando chegou a sua vez, em 1988, ele derrotou o ex-governador de Massachusetts Michael Dukakis, candidato democrata. 

 

Na Casa Branca, ele deu a ordem para invadir o Panamá, para capturar o ditador Manuel Noriega, acusado de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Em 20 de dezembro de 1989, Noriega havia se refugiado na sede da missão diplomática do Vaticano. Para retirá-lo de lá, o Exército americano montou alto-falantes e disparou uma sequência de rock pesado, incluindo The Clash, Van Halen e The Doors. Três dias depois, o general se rendeu. 

Bush comandou o país durante os últimos suspiros da Guerra Fria. Em 1991, assinou com o então líder soviético, Mikhail Gorbachev, o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start 1) para limitar o número de mísseis nucleares. 

 

No entanto, a parte mais marcante de sua presidência foi o desempenho dos EUA na Guerra do Golfo. Em 1991, ele conseguiu uma vitória rápida sobre o Exército de Saddam Hussein e expulsou os iraquianos do Kuwait. O número mínimo de vítimas americanas lhe transformou no presidente mais popular do país até então, com 89% de aprovação.

Curiosamente, seu capital político foi lentamente corroído pela crise econômica que vinha se arrastando desde o final dos anos 80. No Congresso, ele apoiou uma proposta democrata de aumento de impostos e perdeu sua base conservadora. Nas eleições presidenciais de 1992, Bush foi derrotado pelo jovem Bill Clinton, até então relativamente desconhecido. 

O ex-presidente sofria de um tipo de Parkinson que lhe causava dificuldade para caminhar e foi hospitalizado em diferentes ocasiões nos últimos anos. Em 2016, foi internado por problemas respiratórios. Em 2015, rompeu uma vértebra do pescoço após sofrer uma queda.

A morte de Bush pai ocorreu sete meses depois do falecimento de sua mulher, a ex-primeira-dama Barbara Bush, com quem foi casado por 73 anos. Já bastante debilitado, ele compareceu ao funeral em uma cadeira de rodas. No dia seguinte, ele deu entrada em um hospital de Houston com infecção no sangue. 

Últimas palavras 

O 41.º presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush, conversou com o filho e 43.º chefe de Estado americano, George W. Bush, antes de morrer, por telefone, na sexta-feira à noite. Na conversa, George W. Bush disse que ele havia sido um excelente pai e que o amava. Bush pai respondeu: "Eu também te amo". / NYT 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.