Yamil LAGE / AFP
Yamil LAGE / AFP

Morre cardeal cubano Jaime Ortega aos 82 anos

Peça-chave na aproximação entre a Igreja e o regime em Cuba, ele também atuou como mediador nas negociações entre Havana e Washington

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 17h49

HAVANA - O líder da Igreja Católica em Cuba, cardeal Jaime Ortega, morreu nesta sexta-feira, aos 82 anos, em decorrência de um câncer no fígado.

Ortega atuou como mediador na aproximação entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos, então liderados por Raúl Castro e Barack Obama, que levou ao restabelecimento formal das relações em julho de 2015 após décadas de hostilidade.

“Acaba de falecer às 6h16 da manhã de hoje o cardeal”, disse à Reuters o secretário pessoal de Ortega, Nelson Crespo, que ajudou a autoridade religiosa durante a doença.

O ex-arcebispo de Havana se converteu em uma peça-chave na reaproximação entre EUA e Cuba após transmitir mensagens secretas entre o papa Francisco, Raúl Castro e Obama em 2014.

Nascido em 18 de outubro de 1936 em Matanzas, Ortega foi investido cardeal em 1994 pelo papa João Paulo II, cuja histórica visita a Cuba uatro anos depois permitiu à Igreja deixar para trás um longo período de duro confronto ou difícil coabitação com o governo comunista cubano, que se estendeu por três décadas.

Ao cumprir 75 anos em 2011, apresentou sua renúncia como arcebispo de Havana, mas seu amigo, o papa Francisco, não a aceitou até um ano depois de visitar Cuba, em 2015.

Ao manifestar suas condolências pela morte de Ortega, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, tuitou que é "inegável sua contribuição ao fortalecimento para as relações entre a Igreja Católica e o Estado Cubano". / REUTERS e AFP

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