AFP PHOTO / California Department of Corrections and Rehabilitation / Handout
AFP PHOTO / California Department of Corrections and Rehabilitation / Handout

Morre Charles Manson, um dos assassinos mais conhecidos dos EUA

Criminoso, de 83 anos, estava internado, em estado grave, desde a última quarta-feira; Família Manson, grupo de jovens assassinos da Califórnia liderado por ele matou ao menos 9 pessoas, incluindo a atriz Sharon Tate, em 1969

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2017 | 04h58
Atualizado 20 Novembro 2017 | 14h28

LOS ANGELES, EUA - Charles Manson, um dos mais notórios assassinos do século 20, que talvez tenha sido também o mais culturalmente persistente e inescrutável, morreu no domingo, 19, no condado de Kern, Califórnia. Tinha 83  anos e passou a maior parte de sua vida atrás das grades - condenado à morte em 1971, teve pena posteriormente transformada em prisão perpétua.

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Ele morreu de causas naturais, segundo nota do Departamento de Correções e Reabilitação da Califórnia. Na última quarta Manson havia sido levado em caráter de urgência, escoltado por cinco policiais, para um hospital de Bakersfield, e submetido a uma série de tratamentos.

Manson era um criminoso semianalfabeto e músico fracassado antes de ganhar notoriedade no final dos anos 1960 como líder da seita Família Manson, um grupo de jovens assassinos da Califórnia.

Condenado por nove assassinatos, Manson é mais lembrado pelas sete mortes coletiva no que ficou conhecido como caso de Tate-LaBianca, cometido por seus seguidores em duas noites consecutivas de agosto de 1969. A vítima mais famosa, a atriz Sharon Tate, era casada com o diretor de cinema Roman Polanski. Grávida de oito meses e meio, ela foi morta juntamente com outras quatro pessoas em sua casa, em Beverly Hills. 

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As mortes de Tate-Labianca e o julgamento de sete meses que se sucedeu foram objetos de uma cobertura intensa da imprensa. Para um público assustado, mas mesmerizado, os assassinatos — em meio a drogas, sexo, rock & roll, e satanismo — pareciam uma versão depravada da lógica contra o establishment, que ajudou a definir a década de 1960.

Desde então, a Família Manson ocupou um local tenebroso e persistente na cultura americana, e também no comércio. A seita inspirou, entre outras coisas, músicas pop, uma ópera, filmes, diversos sites na internet, camisetas, roupas para crianças e metade do nome artístico do astro de rock Marilyn Manson.

Também foi objeto de vários livros de não-ficção, o mais famoso deles chamado Helter Skelter, de 1974, escrito por Vincent Bugliosi e Curt Gentry. Bugliosi foi o procurador durante o julgamento do caso Tate LaBianca.

A Família Manson voltou ao centro das atenções em 2008, quando policiais da Califórnia, em resposta à especulações de que ainda haveria outras vítimas que nunca foram reportadas, fizeram buscas em um trecho de deserto do parque de Death Valley. Lá em um local abandonado conhecido como rancho Barker, Manson e seus seguidores viveram por um período no fim dos anos 60. A busca não encontrou restos mortais.

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Era uma medida do poder de Manson sobre seus seguidores, muitos deles mulheres que fugiram de suas casas de classe média, que ele não estivesse presente em pessoa no momento preciso em que as vitimas caso Tate-LaBianca foram mortas. Ainda assim, a Família cometeu os assassinatos sob suas ordens, o que, de acordo com muitos depoimentos que se seguiram, tinham como objetivo incitar uma guerra entre raças, que Manson apelidou de "Helter Skelter". Ele tirou o nome da famosa música dos Beatles.

Ao longo das décadas seguintes, Manson continuou sendo um enigma. Seria ele um esquizofrênico paranoico, como alguns observadores sugeriram? Seria ele um sociopata, isento de sentimento humano? Seria ele um carismático guru, como seus seguidores chegaram um dia a acreditar e como ainda acreditam seus fãs?

Ou seria ele simplesmente uma existência destroçada, um homem cuja vida, como disse o jornal The New York Times na década de 1970, "se destaca como um monumento ao abandono parental e à falha no sistema público prisional"?

"No Name Maddox", como Manson foi conhecido primeiro, nasceu em 12 de novembro de 1934, filho de uma mãe solteira de 16 anos, em Cincinnati. Sua mãe, Kathleen Maddox, foi descrita por alguns como prostituta. O que é fato, de acordo com o livro de Bugliosi e outras fontes, é que ela bebia muito e vivia às margens da sociedade, com uma série de homens. 

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Manson, ao que parece, nunca conheceu seu pai biológico. Sua mãe teve um casamento breve com outro homem, chamado William Manson, e por isso ela deu o nome para seu filho, Charles Milles Manson. 

Kathleen desaparecia por longos períodos — quando Charles tinha 5 anos, por exemplo, ela foi presa por roubar um posto de gasolina - deixando-o para morar com parentes em Ohio, West Virginia e Kentucky. Ela saiu, na condicional, quando Charles tinha 8 anos e retomou sua guarda, mas ficou com ele por apenas alguns anos.

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De seus 12 anos em diante, Charles foi colocado em uma série de reformatórios. Em uma dessas instituições ele ameaçou um garoto, colocando uma navalha em sua garganta, e o estuprou.

Escapando com frequência, ele cometia furtos, roubos de carro, e assaltos à mão armada, ficando preso em centros de detenção juvenil e reformatórios federais. Ele saiu do último deles, sob condicional, aos 19 anos, em maio de 1954.

A partir da metade dos anos 1950, Manson viveu no sul da Califórnia, como garçom, ajudante de estacionamento, ladrão de carros, fraudador de cheques e cafetão. Durante esse período, entrou e saiu da prisão.

Ele se casou duas vezes: em 1955 com Rosali Jean Willis, uma garçonete adolescente, e alguns anos depois com uma jovem prostituta chamada Leona. Ambos os casamentos terminaram em divórcio.

Acredita-se que Manson seja o pai de duas crianças, uma com uma de suas mulheres e outra com uma de suas seguidores. O número preciso, os nomes e a localização delas, nunca foram confirmadas — e são objetos de muito rumor e lendas urbanas. /NYT

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