Arquivo/Reuters/Stringer
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Morre Emílio Massera, arquiteto da repressão na ditadura argentina

Almirante integrou governo com Videla e Agosti após golpe que derrubou Isabelita Perón em 1976

estadão.com.br,

08 de novembro de 2010 | 18h10

Atualizado às 22h43  

 

BUENOS AIRES - O almirante Emílio Massera, um dos integrantes da junta militar que governou a Argentina após o golpe militar de 1976, morreu nesta segunda-feira, 8, aos 85 anos no hospital naval de Buenos Aires de uma parada cardiorrespiratória não traumática, "como consequência de sequelas neurológicas", de acordo com fontes médicas.

 

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O diretor do Hospital Naval, Rubén Venerus, afirmou que Massera estava internado desde o dia 19 de abril por "um problema neurológico".

 

"Estava com um estado neurológico deteriorado por um acidente cerebrovascular", indicou Venerus, além de acrescentar que o paciente, que estava internado em uma ala comum, "evoluiu de forma irregular".

 

O diretor do hospital assinalou que a Justiça foi notificada da morte e disse que o corpo "já foi liberado".

 

Massera, integrante da junta militar que governou o país de 1976 a 1978 com Jorge Rafael Videla, cumpria prisão domiciliar desde 1998, um benefício que a legislação argentina concede aos processados maiores de 70 anos, e enfrentava um julgamento à revelia na Itália pelo desaparecimento de três cidadãos ítalo-argentinos durante a ditadura.

 

Conhecido como "Comandante Zero", ele era tido como o arquiteto da repressão montada pelo Exército argentino na ditadura de 1976-1983. No período, calcula-se que 30 mil militantes de esquerda foram mortos nos porões da repressão.

 

O almirante foi condenado à prisão perpétua em 1985, mas teve a pena anulada em 1990 pelo então presidente Carlos Menem. Em 2005, no mandato de Néstor Kirchner, foram suspensos os processos contra Massera por relatórios de médicos legistas que disseram que ele não podia ser julgado porque sofria "involução mental" por danos cerebrais.

 

Dois anos depois, a Justiça argentina declarou "inconstitucional" o indulto e abriu um novo processo, embora novos relatórios médicos tenham concluído, em novembro de 2009, que suas faculdades mentais "não se enquadram dentro da normalidade psico-jurídica" e "não está em condições de compreender as implicações das resoluções judiciais".

 

Em junho desse mesmo ano, a Câmara Nacional de Cassação Penal argentina ratificou a "inconstitucionalidade" de seu indulto e manteve a prisão perpétua contra ele.

 

Massera, nascido em outubro de 1925 na cidade argentina de Paraná, foi hospitalizado em várias ocasiões nos últimos dez anos por distintas doenças, as mais graves em dezembro de 2002, quando sofreu um derrame cerebral que o obrigou a permanecer internado durante dois anos, e em fevereiro de 2009, por causa de um enfarte.

 

Com AP e Efe

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