Axel Heimken / AFP
Axel Heimken / AFP

Morre Esther Bejarano, uma das sobreviventes do Holocausto

Artista judia dedicou sua vida à música e à luta contra o racismo e anti-semitismo

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2021 | 09h53

BERLIM - Uma das últimas sobreviventes da orquestra de mulheres de Auschwitz, a alemã Esther Bejarano, morreu na noite de sexta-feira, 9, aos 97 anos, conforme anunciou o diretor do Centro Educacional Anne Frank no Twitter.

"Ela dedicou sua vida à música e à luta contra o racismo e o anti-semitismo", escreveu Meron Mendel, lembrando que Esther Bejarano foi deportada em 1943 para o campo de extermínio nazista e conseguiu salvar sua vida porque era musicista e tocava o acordeão.

"Uma voz importante na luta contra o racismo e o anti-semitismo morreu", tuitou o ministro das Relações Exteriores alemão Heiko Maas, destacando que "sua vitalidade e incrível história" eram admiradas.

Nascida em Saarlouis, cidade no oeste da Alemanha, Esther foi deportada pela primeira vez para Auschwitz, na Polônia, com 18 anos, antes de ser transferida, em novembro do mesmo ano, para o campo de Ravensbrück. Seus pais e irmã foram assassinados pelos nazistas.

Depois da guerra, Esther Bejarano viajou para a Palestina e morou por quase 15 anos em Israel, antes de retornar à Alemanha. "Aqueles de nós que vivemos isso (a deportação) sabem que não há palavras adequadas para descrever o quão sério é", ela insistia, citando em particular o movimento xenófobo e anti-muçulmano Pegida - Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente e o partido de extrema direita AfD.

Figura muito escutada na Alemanha, Esther escreveu vários romances autobiográficos, dedicou-se ao canto e à atuação no comitê internacional de Auschwitz. Também foi recrutada para a orquestra feminina de Auschwitz quando não sabia tocar acordeão, mas apenas piano. Com os outros músicos, ela tocaria para os prisioneiros e para os deportados quando eles descessem dos comboios.

Nas últimas décadas ela se destacou como testemunha do Holocausto, com inúmeras palestras de luta contra o esquecimento e de alerta contra a extrema direita. Ele também se posicionou claramente a favor de ajudar os refugiados. A educação no Holocausto foi a chave para Bejarano: "Você não é o culpado por aquele tempo. Mas você é culpado se não quiser saber nada sobre aquele tempo. Você deve saber tudo o que aconteceu."/AFP, EFE

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