Clodagh Kilcoyne/REUTERS
Clodagh Kilcoyne/REUTERS

Martin McGuiness, ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte, morre aos 66 anos

Ex-político e antigo comandante do Exército Republicano Irlandês (IRA) foi um dos responsáveis pela negociação de paz na Irlanda do Norte, em 1998, depois de 30 anos de conflito

O Estado de S.Paulo

21 de março de 2017 | 05h37
Atualizado 21 de março de 2017 | 10h17

BELFAST - O ex-comandante do Exército Republicano Irlandês (IRA) e ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte Martin McGuinness morreu nesta terça-feira, 21, aos 66 anos. A informação foi divulgada pelo partido nacionalista Sinn Fein, no qual o político se destacou como um dos principais negociadores de paz após cinco décadas de conflitos separatistas e religiosos no país.

"É com profundo pesar e tristeza que soubemos da morte de nosso amigo e companheiro Martin McGuinness, que faleceu nesta madrugada, em Derry (Irlanda do Norte). Você será lembrado por todos que te conheceram", diz a nota divulgada pelo partido.

Atuante desde os anos 1970, McGuinness participou como rebelde e pacificador durante o conflito na Irlanda do Norte. Ele havia deixado as atividades políticas há dois meses, por sofrer de amiloidose, uma grave doença degenerativa que afetou seu coração.

Ele abandonou a atividade de açougueiro em 1970 para se unir ao IRA na campanha sangrenta para pôr fim ao domínio britânico na Irlanda do Norte e teve papel-chave tanto no início como no fim do conflito de 30 anos (1968-1998), no qual cerca de 3,6 mil pessoas foram mortas.

Martin McGuinness admitiu ter sido um dos comandantes no episódio que ficou conhecido como “Bloody Sunday” (Domingo Sangrento), em 1972, quando tropas britânicas mataram a tiros 14 ativistas católicos desarmados. Nos anos 1980, ele se destacou na criação do Sinn Fein, o aliado político do IRA, e foi um dos responsáveis pelo acordo de paz assinado em 1998. 

Reações. O presidente da República da Irlanda, Michael Higgins, destacou em comunicado que a “imensa contribuição” de McGuinness para a paz na Irlanda do Norte é reconhecida por todas as correntes políticas. O presidente do Sinn Fein, Gerry Adams, afirmou que o colega “foi um republicano apaixonado que trabalhou incansavelmente pela paz, reconciliação e reunificação de seu país.”

Já o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, que negociou o acordo de paz da Sexta-Feira Santa (1998), expressou seu pesar pela morte de McGuinness e comentou que, sem ele, a paz nunca teria chegado à Irlanda do Norte.

Em um extenso comunicado, o ex-premiê destacou a "liderança" e a "coragem" do ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte para impedir que "o passado definisse o futuro". "Seja qual for seu passado, o Martin que eu conheci foi um indivíduo considerado, reflexivo e comprometido", disse Blair, que trabalhou em favor do processo de paz após sua chegada ao poder em 1997.

A atual primeira-ministra britânica, Theresa May, também se manifestou e destacou "essencial" e "histórica" contribuição do ex-vice-ministro da Irlanda do Norte. Em comunicado, a líder conservadora disse que McGuinness desempenhou um "trabalho determinante" para conseguir que o movimento republicano se afastasse da violência na província britânica.

"Ao fazer isso, ele fez uma contribuição essencial e histórica no extraordinário caminho da Irlanda do Norte do conflito para a paz", disse. "Como vice-ministro principal durante quase uma década, ele foi um dos pioneiros em implementar o poder compartilhado entre comunidades na Irlanda do Norte", ressaltou a primeira-ministra, acrescentando que foi "vital" o trabalho de McGuinnes em "momentos muito difíceis" para a província. / REUTERS e EFE

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