Morre ex-presidente português Francisco Costa Gomes

Morreu na manhã de hoje, aos 87 anos, o marechal português Francisco Costa Gomes, que foi presidente de Portugal durante o período revolucionário que se seguiu à restauração da democracia no país. O marechal estava internado desde 2 de maio, quando sofreu uma queda, e a morte foi por insuficiência respiratória. Costa Gomes foi o segundo presidente português depois da Revolução dos Cravos e esteve no posto durante o período mais agitado do processo político português. Foi durante o seu mandato que seguiu-se à renúncia do general Antônio de Spinola em 30 de setembro de 1974 até as primeiras eleições presidenciais livres, em abril de 1976 que ocorreram a reforma agrária, a nacionalização dos bancos e das principais empresas portuguesas a descolonização de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e a nomeação do único governo português até hoje dirigido pelo Partido Comunista. Ligado à esquerda e considerado por muitos como próximo do PCP, a figura de Costa Gomes sempre foi controversa no meio político português. Durante a tentativa de golpe de esquerda em 25 de novembro de 1975, teria ficado em cima do muro até perceber que os revoltosos não teriam condições de ganhar o poder. O ex-presidente Mário Soares afirmou que teve nessa ocasião uma atitude "ambígua". No entanto, muitos consideram que o marechal foi quem garantiu a realização de eleições livres em Portugal. Segundo o historiador alemão Jochen Staadt, Costa Gomes e mais seis generais que serviram na Nato foram instrumentalizados pelos serviços de espionagem da Alemanha Oriental, Stasi. Eles participaram no filme "Generais pela Paz", de 1986, em que os militares se posicionam contra a instalação de mísseis nucleares norte-americanos na Europa. Considerado um estrategista brilhante, foi nomeado chefe do estado maior das forças armadas em 1972, mas teve a sua exoneração decidida em março de 1974 por ter se recusado a prestar um juramento de lealdade ao governo ditatorial de Marcelo Caetano. Cinco dias depois da revolução, em 30 de abril de 1974, voltou ao posto. Era o único militar português com a patente de marechal. O governo de Portugal decretou dois dias de luto em homenagem a Costa Gomes.

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