Jim Hollander/Efe
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Morre ex-primeiro-ministro de Israel Yitzhak Shamir

Shamir era conhecido por sua recusa em confiar em qualquer governo árabe

Agência Estado

30 de junho de 2012 | 16h32

TEL-AVIV - O ex-primeiro-ministro de Israel Yitzhak Shamir morreu neste sábado, 30, aos 96 anos em uma clínica em Herzliya. O atual primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, divulgou comunicado lamentando sua morte.

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Shamir foi primeiro-ministro por sete anos, de 1983 a 1984, e de 1986 a 1992. Ele pertencia ao partido Likud, o mesmo de Netanyahu, e era conhecido por sua recusa a confiar em qualquer governo árabe e sua intransigência na recusa a ceder qualquer território aos palestinos em um eventual acordo de paz.

Seu segundo governo foi marcado pela primeira Intifada - o levante dos palestinos contra a ocupação de seus territórios por Israel - e pela Guerra do Golfo, quando o Iraque de Saddam Hussein, ao ser atacado pelos EUA, lançou dezenas de mísseis Scud contra Israel.

Derrotado nas eleições de 1992, ele deixou a liderança do partido Likud e ficou deixado de lado enquanto seu sucessor na chefia do governo israelense, Yitzhak Rabin, do Partido Trabalhista, negociava os acordos de paz de Oslo e Camp David com Yasser Arafat, então chefe da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Os acordos, que previam o fim da ocupação dos territórios palestinos da Cisjordânia e de Gaza em troca do reconhecimento do direito de Israel a existir pelos palestinos, renderam o Prêmio Nobel da Paz para Rabin, Arafat e o então presidente dos EUA, Bill Clinton. Com a volta do Likud ao poder, sob Netanyahu, a construção de assentamentos exclusivamente para judeus nos territórios palestinos foi retomada e os acordos de paz foram deixados de lado.

Em entrevista ao jornal de Nova York Jewish Post, em 1997, Shamir disse que "os árabes sempre sonharão em nos destruir. Não acredito que eles vão nos reconhecer como parte desta região". Shamir adotava a ideologia do Movimento Revisionista, segundo o qual toda a Terra Santa bíblica, incluindo o que é hoje o território israelense, a Cisjordânia, Gaza e a Jordânia, deveriam pertencer a Israel.

Para ele, o Partido Trabalhista, que governou Israel continuamente por 30 anos, desde a fundação do país em 1948, era culpado de traição por ter aceito as resoluções da ONU de 1947, que previam a criação de dois Estados, um para os judeus e outro para os palestinos, nos territórios que o Reino Unido havia tomado do Império Otomano ao final da I Guerra Mundial.

Nascido na Polônia em 1915, com o nome de Yitzhak Jazernicki, Shamir migrou para a Palestina em 1935 e juntou-se ao grupo Lehi, a mais violenta das organizações judaicas que combatiam a ocupação da Palestina pelos britânicos. Ele foi preso duas vezes e escapou; na segunda ocasião, foi capaz de fugir de um campo de detenção britânico no Djibuti e voltar à Palestina.

Depois da fundação de Israel, Shamir atuou como empresário por alguns anos e depois fez carreira dentro do Mossad, o serviço israelense de espionagem. Em meados dos anos 1960, ele juntou-se ao partido direitista Herut, que mais tarde se tornaria o Likud. Tornou-se primeiro-ministro pela primeira vez em 1983, como sucessor de Menahem Begin, depois da desastrosa invasão do Líbano por Israel em 1982.

Depois da Guerra do Golfo, quando os EUA tentaram patrocinar um processo de paz amplo para o Oriente Médio, a intransigência de Shamir era tão grande que o então secretário de Estado norte-americano, James Baker, perdeu a paciência e, durante uma entrevista a emissora de televisão, recitou o número de telefone do PABX da Casa Branca e disse que o primeiro-ministro deveria telefonar quando estivesse seriamente disposto a discutir a paz.

A pressão dos EUA deu resultado e Shamir compareceu à primeira conferência pela paz no Oriente Médio, em Madri, no fim de 1991, que abriu caminho para os encontros posteriores em Oslo e Camp David, nos quais o governo israelense já era dominado pelos trabalhistas.

Ele comemorou a volta do Likud ao poder, depois da eleição de 1996, mas passou a criticar Netanyahu quando este continuou a negociar com os palestinos, e deixou o partido em 1999 para fundar outra agremiação de direita, o bloco União Nacional, liderado por Zeev Binyamin, filho de Menahem Begin.

As informações são da Associated Press.

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