Morre Foday Sankoh, o cruel ex-líder rebelde de Serra Leoa

Foday Sankoh, líder rebelde de uma violenta campanha que por dez anos levou o terror a Serra Leoa, durante a qual costumava cortar as mãos de inúmeros e desamparados civis, morreu sob custódia da ONU em um hospital de Freetown, capital do país da África Ocidental. Sankoh, 65, morreu ontem à noite de causas naturais, ?um fim pacífico que ele negou a tantos outros?, em uma seção do hospital controlada pelas Nações Unidas, disse David Hecht, porta-voz do tribunal da ONU para a guerra em Serra Leoa. O ex-chefe guerrilheiro deixa ?uma herança de horror na mente e nas lembranças daqueles que sobreviveram?, acrescentou Hecht. Sankoh, treinado em técnicas de guerrilha na Líbia durante a Guerra Fira, lançou em 1991 uma crescentemente cruel campanha destinada a controlar o governo e as minas de diamante em Serra Leoa. No final dos anos 90, os rebeldes liderados por Sankoh intensificaram os ataques contra civis. Os promotores estimam que, em dez anos de guerra civil, 75 mil foram assassinados. Sob a liderança de Sankoh, os rebeldes ganharam notoriedade pelas atrocidades cometidas contra civis, como decepar lábios, orelhas e nariz das vítimas. Sankoh estava preso desde maio de 2000 e, em março passado, começou a ser julgado por um tribunal da ONU para a guerra em Serra Leoa. Ele era acusado de crimes contra a humanidade e violações dos direitos humanos, incluindo assassinatos, estupros, extermínio e submissão de pessoas à escravidão sexual. Ultimamente, Sankoh, que já foi um dos homens mais temidos na África Ocidental, não conseguia andar, falar ou se alimentar. Na semana passada, o tribunal da ONU negou um pedido dos advogados de defesa para que os procedimentos do julgamento fossem suspensos até que o ex-líder rebelde terminasse um exame médico. Um psiquiatra que examinou Sankoh em março descreveu o estado dele como "catatônico".

Agencia Estado,

30 Julho 2003 | 12h52

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