Morre ''Garganta Profunda'', o homem que derrubou Nixon

Mark Felt foi o principal informante dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein no escândalo Watergate

REUTERS, WP E AP, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Mark Felt, o misterioso "Garganta Profunda", a fonte supersecreta mais famosa da história do jornalismo americano, morreu na noite de quinta-feira, aos 95 anos. As revelações de Felt ajudaram os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington Post, a desvendar o caso de abuso de poder na Casa Branca, que ficou conhecido como o escândalo de Watergate e forçou o presidente Richard Nixon a renunciar, em 1974.O caso começou em 1972, quando a polícia prendeu ladrões no Edifício Watergate, em Washington, onde o Comitê Nacional do Partido Democrata tinha escritórios. As investigações feitas por Woodward e Bernstein desvendaram uma rede de espionagem política, suborno e desvio de dinheiro que ligavam o escândalo à Casa Branca, então ocupada pelo republicano Nixon.Na ocasião, Felt ocupava o segundo cargo mais importante do FBI. Secretamente, era ele quem passava as informações aos repórteres do Washington Post. Sua identidade foi mantida em sigilo por 30 anos. Nem sua família sabia da história.Somente em 2005, aos 91 anos, seu papel no escândalo tornou-se público por meio de um artigo escrito na revista Vanity Fair. Na ocasião, ele afirmava que jamais se considerou um herói e só queria "ajudar"."Eu sou o cara que costumavam chamar de ?Garganta Profunda?", escreveu Felt. "Mas não creio que ser o ?Garganta Profunda? seja algo do qual eu possa me orgulhar. Não se deve vazar informação a quem quer que seja."HOLLYWOODWoodward e Bernstein lançaram o best seller Todos os Homens do Presidente, em 1974, que virou um clássico de Hollywood, dois anos depois. O suspense de Alan Pakula, homônimo do livro, tinha Robert Redford e Dustin Hoffman interpretando os dois jornalistas do Post.Durante muito tempo especulou-se sobre a identidade do "Garganta Profunda", codinome dado por causa de um filme pornográfico bastante popular nos anos 70. Woodward e Bernstein prometeram não revelar a fonte de suas reportagens até que ela morresse. No entanto, um dia depois da revelação de Felt, Woodward escreveu sobre sua relação com ele. "Era um momento em que ter uma fonte ou amigo nas agências do governo era algo valioso", disse o jornalista, que descreveu a rotina complicada que tinha com Felt. Os dois se encontravam em um estacionamento subterrâneo e Felt apenas confirmava as informações que os repórteres obtinham de outras fontes. "Ele acreditava que estava protegendo o FBI ao vazar informações para o público", afirmou.

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