Morre herói da independência da Argélia

Primeiro presidente argelino era símbolo do pan-arabismo e da luta anticolonialista na África

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2012 | 03h02

ARGEL - Ahmed Ben Bella, primeiro presidente da Argélia e um dos históricos líderes da luta pela independência do país, morreu ontem em sua casa, na capital Argel, aos 93 anos. Não foi informada a causa da morte.

No mês passado, o ex-presidente argelino foi internado duas vezes no hospital militar de Ain Naadja após se queixar de dores. O carismático Ben Bella, símbolo da ideologia pan-arabista e do anticolonialismo, foi presidente da Argélia de 1963 a 1965, quando sofreu um golpe comandado pelo então ministro de Defesa, Houari Boumedienne.

Ben Bella ficou 15 anos em prisão domiciliar. Durante o novo governo, a imprensa era proibida de mencionar seu nome. O coronel Boumedienne morreu em 1978 e abriu caminho para a libertação de Ben Bella. Após ser solto, em 1980, exilou-se na Suíça.

Ben Bella retornou a seu país em 1990 para fundar um partido de oposição, o Movimento pela Democracia na Argélia, que obteve apenas 2% dos votos em 1991 e foi banido em 1997. Ele continuou na Argélia e ocupou uma posição simbólica entre os opositores até o fim da vida. Ben Bella falava bem francês e árabe argelino - não o árabe clássico -, por isso tinha dificuldade para conversar com líderes vizinhos. Seus discursos eram feitos em árabe das ruas de Argel. Para temas específicos, recorria ao francês. / AP

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