Morre Huntington, autor de ''O Choque das Civilizações''

Cientista político e professor de Harvard, ele foi um dos pensadores americanos mais influentes do pós-Guerra Fria

Filipe Serrano, O Estadao de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 00h00

O cientista político Samuel P. Huntington, autor do famoso livro O Choque das Civilizações, morreu aos 81 anos na quarta-feira. Mas a notícia de sua morte só foi divulgado ontem pela Universidade Harvard, onde ele foi professor durante 58 anos e só deixou de lecionar em 2007.Samuel Phillips Hunting foi um dos cientistas políticos mais importantes e influentes após a Guerra Fria. Foi autor, co-autor e editor de 17 obras e 90 artigos sobre política norte-americana, democratização mundial, estratégia militar e políticas de desenvolvimento. O Choque das Civilizações, publicado em 1996 e traduzido para 39 idiomas, foi seu livro mais debatido e controverso. Huntington prevê que, após a Guerra Fria, os conflitos internacionais violentos não seriam disputas entre Estados nacionais, mas que as guerras teriam origens nas diferenças culturais e religiosas entre as grandes civilizações. As civilizações, segundo ele, seriam o Ocidente (Estados Unidos e Europa), a América Latina, países islâmicos, africanos, ortodoxos (sendo a Rússia o principal deles), hindus, "sinos" (China, Coréia e Vietnã) e o Japão.A idéia de Huntington ganhou força depois dos atentados do 11 de Setembro e das guerras subseqüentes no Afeganistão e no Iraque, além do fortalecimento de políticas antiimigração dos EUA e Europa. A teoria é relacionada à política externa intervencionista dos EUA durante o governo de George W. Bush.Outro livro importante de Huntington é o Terceira Onda: Democratização no Fim do Século 20 (1991), em que ele analisa o processo de democratização mundial ocorrido em mais de 30 países a partir de 1974, principalmente na América Latina e na Ásia. Seu último livro, Who Are We? ("Quem somos nós?", em português), de 2004, discute a identidade cultural dos EUA. Críticos de Huntington alegam que as idéias são etnocêntricas e colocam os EUA como líder do processo de democratização. Sobre O Choque..., a teoria não levaria em conta diferenças culturais dentro das civilizações descritas.

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