Morre Juan Almeida, líder histórico de Cuba

Um dos vices de Raúl Castro, ele comandou frente rebelde de Sierra Maestra

AP, AFP E EFE, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2009 | 00h00

Um dos poucos que ostentavam o título de "Comandante da Revolução Cubana", Juan Almeida Bosque, leal seguidor de Fidel e Raúl Castro, morreu na sexta-feira, aos 82 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. O Conselho de Estado do país - do qual Almeida era vice-presidente - decretou luto nacional, ordenando que todas as bandeiras fossem hasteadas a meio mastro. "O nome do Comandante da Revolução Juan Almeida Bosque permanecerá para sempre no coração e na mente de nossos compatriotas, como paradigma de firmeza revolucionária, convicções sólidas, valentia, patriotismo e compromisso com nosso povo", expressou um comunicado oficial.

Atendendo ao desejo do dirigente, não foi organizada uma cerimônia pública de velório. Mas homenagens a Almeida ocorreriam hoje em vários locais do país - como no monumento ao herói cubano José Martí, na Praça da Revolução, em Havana, e na Ilha da Juventude, onde ele ficou preso com os irmãos Castro, depois de participar do fracassado assalto ao Quartel Moncada, em 1953 - marco inicial da revolução.

Almeida conheceu os irmãos Castro em 1952, quando estudava direito na Universidade de Havana. Negro, ex-operário da construção civil, aderiu à luta contra o regime de Fulgêncio Batista. Após o fracasso na tentativa de tomar o Quartel Moncada, em Santiago, Almeida ficou preso por dois anos, até ser beneficiado por uma anistia e juntar-se aos Castros no exílio no México.

Era o único negro da cúpula do movimento guerrilheiro, formada principalmente por jovens da elite estudantil cubana.

Em 1956, com Fidel, Raúl e um reduzido grupo de rebeldes, voltou a Cuba no iate americano "Granma", dando início à fase decisiva da revolução. Entre os combatentes, estavam Ernesto "Che" Guevara e Camilo Cienfuegos. "Ninguém aqui desiste!", gritou ele para "Che" na ocasião, criando um dos slogans mais famosos da revolução. Almeida dirigiu, em seguida, a sua própria frente em operações militares no leste de Cuba.

Instalada a revolução, no ano-novo de 1959, Almeida ocupou diversos postos militares, desde chefe das unidades motorizadas até chefe da Força Aérea do Exército Revolucionário. Mais tarde, foi vice-ministro e chefe do staff das Forças Armadas Revolucionárias - aproximando-se ainda mais de Raúl.

Almeida era integrante do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba desde a sua criação, em outubro de 1965. Ele desligou-se das atividades públicas em dezembro de 2003, após anunciar que sofria de problemas cardíacos. A ausência, porém, foi interpretada por muitos analistas como um castigo imposto a Almeida por Fidel, em razão de seu suposto apoio às ideias de Raúl para reformar a economia cubana e torná-la mais parecida com a da China comunista.

Após cinco anos de afastamento, Almeida voltou à cena política com a eleição de Raúl para a presidência do Conselho de Estado em 2008.

Almeida também ficou conhecido na ilha por ter composto diversas músicas e por ter escrito vários relatos sobre seus anos na prisão e nas montanhas.

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