Morre Juan Bosque, comandante da revolução cubana

Juan Almeida Bosque, um dos poucos que ostentavam o título de "Comandante da Revolução Cubana" e que mostrou uma lealdade a Fidel Castro no campo de batalha, morreu ontem após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Ele tinha 82 anos. O Conselho de Estado decretou luto nacional, ordenando que todas as bandeiras fossem hasteadas a meio mastro. "O nome do comandante da Revolução Juan Almeida Bosque permanecerá para sempre no coração e na mente de nossos compatriotas, como paradigma de firmeza revolucionária, convicções sólidas, valentia, patriotismo e compromisso com nosso povo", expressou um comunicado oficial.

AE-AP, Agencia Estado

12 de setembro de 2009 | 10h48

O comandante foi um colaborador próximo e amigo pessoal de Fidel e Raúl Castro, este último atual presidente após substituir seu irmão enfermo. O comunicado informou que não haveria cerimônia pública de velório, atendendo ao desejo do dirigente. Autoridades cubanas organizam uma cerimônia para amanhã no monumento do herói cubano José Martí, na Praça da Revolução, em Havana.

Almeida integrou-se à luta contra o regime ditatorial de Fulgêncio Batista, em março de 1952, quando era um estudante de Direito na Universidade de Havana, onde conheceu Fidel Castro, então um advogado formado e aspirante a promotor. Almeida esteve ao lado de Castro em 26 de julho de 1953, quando o futuro presidente cubano liderou um ataque ao quartel de Moncada, uma força militar de Batista na cidade de Santiago de Cuba. A investida foi um fracasso e Almeida e os irmãos Castro foram presos e levados para a Isla de los Pinos, renomeada, posteriormente, de Isla de la Juventud (Ilha da Juventude). Mas aquele fracasso foi o primeiro passo importante rumo à Revolução Cubana, cinco anos e meio depois daquela data.

Almeida e os outros sobreviventes do ataque ao quartel foram libertados em maio de 1955, favorecidos por uma anistia dada a outros jovens revolucionários. Após a libertação, ele acompanhou os irmãos Castro no exílio no México, onde formaram uma guerrilha armada. Eles retornaram a Cuba em dezembro de 1956 no iate americano "Granma", que transportava um total de 82 combatentes, e lançaram batalhas da ilha de Sierra Maestra.

Após Batista fugir de Havana no Ano Novo de 1959, Almeida ocupou diversos postos militares, desde chefe das unidades motorizadas até chefe da Força Aérea do Exército Revolucionário. Mais tarde, ele foi nomeado vice-ministro e chefe do staff das Forças Armadas Revolucionárias. Almeida era integrante do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba desde a sua criação em outubro de 1965. Tinha como tarefa receber novos embaixadores estrangeiros e dar as boas vindas a dirigentes estrangeiros visitantes. Ele desligou-se das atividades públicas em dezembro de 2003, após anunciar que sofria de problemas cardíacos.

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