Morre Kirkpatrick, ex-embaixadora americana na ONU

Jeane J. Kirkpatrick, um pilar do conservadorismo da era Reagan e a primeira mulher a assumir o cargo de embaixador dos Estados Unidos na ONU, morreu nesta sexta-feira, 8, aos 80 anos, anunciaram assessores.A morte de Kirkpatrick, que começou sua vida pública como uma democrata, foi anunciada inicialmente pela missão dos EUA na ONU, com o embaixador americano John Bolton pedindo por um minuto de silêncio. O anúncio de seu falecimento também foi divulgado no site do American Entreprise Institute (AEI), um centro de estudo conservador onde ela era uma intelectual destacada.A assistente de Kirkpatrick, Andrea Harrington, disse que ela morreu enquanto dormia em sua casa nos arredores de Washington. Ela estava sofrendo de problemas cardíacos, mas a causa da morte não foi imediatamente revelada.O líder da maioria republicana no Senado americano, Bill Frist, disse que Kirkpatrick "defendeu os interesses dos EUA enquanto esteve na ONU, emprestou uma voz poderosa à política externa de Reagan e foi uma fonte de sábios conselhos a nossa nação desde que deixou o governo duas décadas atrás. Sua ausência será muito sentida".Kirkpatrick foi nomeada pelo presidente Ronald Reagan para o cargo na ONU em 1981. Ela criou a fama de ser durona e muitas vezes áspera na defesa de suas causas - uma imagem semelhante à do atual embaixador americano na ONU, John Bolton.Ela manteve-se envolvida em questões públicas apesar de ter deixado os serviços governamentais 20 anos atrás. Kirkpatrick assinou em 2005 com outros sete ex-embaixadores americanos na ONU uma carta ao Congresso dos EUA advertindo que um plano de congelar pagamentos a fim de forçar reformas no organismo internacional era equivocado e iria "criar ressentimento, animosidade e na verdade fortalecer os opositores às reformas".Kirkpatrick foi professora de ciências políticas na conservadora Universidade Georgetown de 1957 até sua nomeação para a ONU.Como muitos conservadores, ela escrevia para a Commentary Magazine, uma publicação liberal que gradualmente se tornou conservadora reagindo a críticas liberais a Israel.Um destacado artigo dela traçava uma distinção entre governos autoritários, como ditaduras da América Latina, e violadores mais extremos dos direitos humanos, como a União Soviética.Ela admitiu que Estados autoritários não atendiam padrões democráticos, mas defendeu que eles eram preferíveis a regimes totalitários.Traduzidas para a era Reagan, suas idéias levaram à suspensão de ajuda para o governo sandinista da Nicarágua e ao apoio à junta militar de El Salvador.Um de seus momentos mais marcantes na ONU foi em setembro de 1983, quando ela montou uma apresentação audiovisual da derrubada pela União Soviética de um avião de passageiros sul-coreano, KAL 007, que invadira o espaço aéreo soviético. Todas as 269 pessoas a bordo morreram. A embaixadora acusava Moscou de ter abatido o avião mesmo sabendo tratar-se de um inofensivo vôo comercial. A versão foi mantida por anos no Ocidente.Entretanto, Alvin A. Snyder, produtor do vídeo, revelou em 1996 que as imagens não editadas mostravam que os soviéticos pensavam que o aparelho era na verdade um avião de reconhecimento americano RC-135.Seu apoio a Israel, particularmente nas Nações Unidas onde o Estado judeu é freqüentemente denunciado, era inabalável.Em 2002, num seminário em Washington patrocinado pela Organização Sionista da América, Kirkpatrick advertiu que um Estado palestino seria "um erro catastrófico" e um perigo para Israel. Ela argumentava que tal Estado seria visto como uma tentativa de apaziguamento e um revés na luta dos EUA contra o terrorismo.

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