Morre líder do Taleban paquistanês

Grupo anuncia que Baitullah Mehsud foi morto em ataque de mísseis dos EUA; Islamabad busca provas concretas

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

O líder do Taleban no Paquistão, Baitullah Mehsud, morreu na quarta-feira atingido por um míssil disparado por aviões não-tripulados dos EUA. Dois comandantes do Taleban confirmaram a morte de Mehsud. "Baitullah Mehsud e sua mulher morreram em um ataque de mísseis americanos no Waziristão do Sul", disse ontem um assessor de Mehsud, Kafayatullah, à Associated Press.   Patrícia Campos Melo faz o diário do conflito no seu blogMas o governo paquistanês ainda não confirma a morte do líder taleban. Os paquistaneses relutam em dar 100% de certeza, pois em outras ocasiões Mehsud foi declarado morto e voltou a aparecer. "Há vários indícios, mas não posso confirmar até ter provas concretas", disse Rehman Malik, ministro do Interior do Paquistão.A captura ou a morte de Mehsud era prioridade do governo americano em sua ofensiva contra o Taleban.Mehsud liderava uma rede de 20 mil rebeldes no oeste do Paquistão e vinha abastecendo a guerrilha taleban no Afeganistão. Os EUA ofereciam US$ 5 milhões pela captura de Mehsud. No Paquistão, ele era considerado inimigo público número 1 e acusado pela onda de violência que tomou conta do país nos últimos anos e o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em dezembro de 2007. Em março, ele assumiu a autoria de um atentado contra uma academia de polícia em Punjab , que causou a morte de 8 policiais e deixou 100 feridos. O atual presidente afegão, Asif Ali Zardari, é viúvo de Benazir.Mehsud passava por um tratamento para insuficiência renal na casa de seu sogro, em um vilarejo no Waziristão do Sul, quando foi atingido por dois mísseis disparados de um avião não-tripulado. O ataque ocorreu à 1 hora na quarta-feira, quando Mehsud recebia soro e era ajudado por sua segunda mulher, que também foi morta. A morte de Mehsud marca a ampliação do programa secreto de mísseis para eliminar líderes da Al-Qaeda e do Taleban no Paquistão. Foram 34 desses ataques em 2008, que mataram 10 militantes. Em 2009, o governo Obama já autorizou 28 desses ataques."Essa é uma grande derrota para o Taleban no Paquistão", disse a The New York Times Mahmoud Shah, ex-chefe de segurança nas regiões tribais. "Ele era o líder. Os sucessores são todos fracos."Rebeldes taleban afirmaram estar em curso uma reunião para escolher o sucessor de Mehsud. A morte dele deve desencadear uma disputa de poder. Um dos cotados para assumir a liderança é o vice de Mehsud, Hakimullah Mehsud, um comandante jovem e agressivo que coordena o Taleban na região do Khyber e vem interrompendo o transporte de suprimentos da Otan para o Afeganistão. Outro possível sucessor é Waliur Rehman, que é parente de Mehsud. Ele foi nomeado em 2005 pelo mulá Omar, o líder do Taleban no Afeganistão, para liderar o grupo no Paquistão. Tinha reputação de ser justo e modesto e subiu na hierarquia do Taleban. Em uma entrevista em 2008 a jornalistas paquistaneses, Mehsud disse que sua maior luta era contra os EUA no Afeganistão e justificou o uso de homens-bomba: "Eles são nossas armas nucleares. Os EUA têm as deles, e não diferenciam entre civis e inimigos quando as usam. Nossos homens-bomba penetram nos alvos e se explodem."A morte de Mehsud pode melhorar as relações entre Paquistão e EUA e reduzir as desconfianças dos americanos sobre o grau de cooperação de Islamabad na luta contra o Taleban. Ao mesmo tempo, também enfraquece teorias de que Mehsud era agente da CIA, por isso era poupado pelos americanos.

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