AP Photo/Wilfredo Lee
AP Photo/Wilfredo Lee

Morre na Flórida aos 90 anos o anticastrista Luis Posada Carriles

Cuba e Venezuela consideram Carriles o autor intelectual da explosão de um avião comercial de Cubana de Aviación em Barbados em 1976

O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 16h21

MIAMI - O anticastrista cubano Luis Posada Carriles, um dos mais inflamados inimigos do regime cubano e ex-agente da CIA (Agência Central de Inteligência), morreu nesta quarta-feira, 23, em Miramar (sudeste da Flórida, EUA) aos 90 anos, informou a imprensa local.

Carriles (Cuba, 1928) morreu por volta das 5h (horário local, 6h em Brasília) "em um lar do governo para veteranos" situado na localidade de Miramar, disse seu advogado, Arturo Hernández, que explicou que o anticastrista estava doente há muito tempo, segundo o jornal The New Herald.

"Sinto muito (pela sua morte) porque eu passei cinco anos da minha vida defendendo-o e, nesse tempo, se manifestou como uma grande pessoa, pelo menos tentou fazer algo por Cuba", ressaltou Hernández.

Sobrevivente de um câncer na garganta, atentados e um derrame cerebral, a saúde do militante anticastrista tinha se deteriorado notavelmente após sofrer várias fraturas em um acidente de carro em 2015.

Acusado por Cuba de terrorismo, Carriles fez da sua vida uma tentativa constante de assassinar o que foi durante décadas presidente do país, Fidel Castro.

No ano 2000, Castro denunciou um plano para assassiná-lo no Panamá, onde participava de uma Cúpula Ibero-Americana.

Carriles foi detido por esse motivo no Panamá, embora a então presidente, Mireya Moscoso, lhe tenha dado o indulto antes de deixar o comando. Depois disso, ele viajou para El Salvador e, em seguida, entrou nos Estados Unidos em 2005 de maneira ilegal, tendo de enfrentar a Justiça americana.

Foi absolvido em 2011 de 11 acusações de perjúrio, fraude e obstrução de procedimento por um tribunal de migração do Texas e desde então vivia em Miami.

Segundo documentos liberados pelo Departamento de Estado, Carriles foi um informante pago da CIA, pela qual viajou por diferentes países latino-americanos nos quais trabalhou contra os movimentos comunistas e de esquerda.

Cuba e Venezuela consideram Carriles o autor intelectual da explosão de um avião comercial de Cubana de Aviación em Barbados em 1976, matando as 73 pessoas a bordo, e tentaram capturá-lo para julgá-lo por terrorismo.

Também foi vinculado à explosão de várias bombas em hotéis cubanos na década de 90, uma das quais matou um jovem turista italiano em 1997.

Nascido em Cienfuegos, Carriles chegou a ficar preso na Venezuela por causa da explosão do avião, mas em 1985 fugiu da prisão, disfarçado e com um documento falso. / EFE

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