Morre na Venezuela fazendeiro em greve de fome

Um fazendeiro venezuelano que realizava uma greve de fome havia meses contra as políticas de nacionalização de terras do presidente Hugo Chávez morreu em um hospital militar, disseram seus parentes. "Hoje (ontem), 30 de agosto de 2010, o corpo exausto do marido e pai Franklin Brito parou de respirar", disse a família em comunicado divulgado pela mídia do país. No texto, a família afirma que a morte foi um "símbolo" para que o povo venezuelano lute por "liberdade".

AE, Agência Estado

31 de agosto de 2010 | 12h23

Médicos informaram a mulher de Brito sobre a morte ontem, aparentemente provocada por um ataque cardíaco, segundo o jornal El Universal. O governo tomou as terras de Brito em 2005, no Estado de Bolívar, sul do país. Após esse ato, ele começou a fazer uma greve de fome. Ele parou e recomeçou o protesto diversas vezes.

A ordem foi revogada no fim de 2009, quando Brito encerrou temporariamente seu protesto. O fazendeiro, porém, recomeçou a greve pouco depois, alegando que as autoridades não o haviam compensado nem entregado os papéis cancelando a tomada das terras. "O corpo de Franklin Brito tornou-se um símbolo para todos aqueles atingidos pela arrogância do poder, para aqueles ofendidos pela arrogância dos governantes", afirmou a família no comunicado.

No ano passado, o governo Chávez redistribuiu 500 mil hectares de terras que estavam em mãos de particulares. O presidente diz que essa política busca reverter injustiças históricas. O caso de Brito, de 49 anos, ganhou mais atenção nas últimas semanas na Venezuela. Vários protestos demonstraram solidariedade a ele e à família. Desde o início do ano internado em um hospital militar de Caracas, Brito recebia assistência da Cruz Vermelha, mas estava muito fraco por causa da prolongada carência de alimentos e também de água.

Na semana passada, Angela, filha de Brito, disse que seu pai tinha perdido a consciência. Ela afirmou que ele havia sofrido uma falência respiratória e estava com infecção generalizada, pneumonia e danos em órgãos vitais. "A saúde do meu pai piorou mais, ainda que ele tenha concordado em receber os medicamentos necessários, incluindo a hidratação e a alimentação intravenosa", disse ela. As informações são da Dow Jones.

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