AP Photo/Anita Baca, File
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Morre o cardeal nicaraguense Obando y Bravo aos 92 anos

Ele era um influente líder religioso que mediou numerosos conflitos na história recente da Nicarágua

O Estado de S.Paulo

03 Junho 2018 | 20h30

MANÁGUA - O cardeal nicaraguense  Miguel Obando y Bravo, influente líder religioso e aliado do presidente Daniel Ortega, morreu neste domingo aos 92 anos, informou a Igreja Católica.

O bispo emérito de Manágua presidiu a Comissão da Paz e Reconciliação do governo, um cargo concedido por  Ortega depois de retornar ao poder em  2007 em reconhecimento a sua experiência como mediador de numerosos conflitos na história recente do país.

Em abril, Obando completou 50 anos de vida sacerdotal, mas nos últimos meses reduziu suas aparições públicas.

Obando nasceu em uma família camponesa em 2 de fevereiro de 1926, no povoado minerador de La Libertad (leste), berço também de Ortega, de 72 anos.

Foi ordenado sacerdote em 1958 e designado arcebispo de Manágua em 1970. Em 1985 foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II, transformando-se no primeiro cardeal latino-amerciano.

Sua nomeação ocorreu em meio à perseguição que sofreram na ocasião os padres por criticar a revolução sandinista, liderada por Ortega entre 1979 e 1990.

Ao longo de sua vida religiosa, Obando participou ativamente como mediador em conflitos políticos e armados, tanto durante o regime do ex-ditador Anastasio Somoza, como com a então guerrilha da Frente Sandinista (FSLN, esquerda) nos anos 1970.

Em 19 de abril, Ortega destacou o trabalho de mediação que Obando também realizou para alcançar os acordos de paz que puseram fim à guerra entre sandinistas e os ex-contras nos anos 80.

No entanto, Obando também será recordado no país pela famosa parábola da cobra, que ele contou diante de milhares de fieis na Catedral da capital antes das eleições de 1996, nas quais Ortega, então candidato da oposição, tentava retornar ao poder.

Em seu sermão, contou que dois homens encontraram uma cobra que estava morrendo de frio e um deles se aproximou para aquecê-la, apesar de seu amigo alertar que era perigosa, em aberta alusão a Ortega.

"Quando a cobra reviveu pelo calor humano, o animal mordeu e matou o homem que a ajudou", afirmou Obando, uma mensagem que os analistas acreditam ter influenciado na derrota eleitoral de Ortega aquele ano.

Apesar disso, em 2004 Ortega se aproximou de Obando e acertaram uma polêmica aliança, que foi selada com uma missa que o cardeal celebrou por ocasião do aniversário da Revolução Sandinista. / AFP

 

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