AP Photo/Pavel Golovkin
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Morre oficial soviético que salvou o mundo em 1983 de nova guerra mundial

Petrov estava de guarda em um centro de comando do sistema de alerta de ataques com mísseis da defesa aérea, quando os equipamentos deram um falso aviso de lançamento de foguetes intercontinentais dos EUA

O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 15h19

MOSCOU - O oficial que evitou em 1983 uma guerra nuclear entre a União Soviética e os Estados Unidos, Stanislav Petrov, morreu aos 77 anos em sua casa nos arredores de Moscou. "Sim, ele morreu em maio", disse Dimitri Petrov, filho do militar, à imprensa local nesta terça-feira, 19.

A morte não tinha sido divulgada até então pela família de Petrov e só foi revelada depois de um cineasta alemão ter ligado para o militar no início de setembro para parabenizá-lo pelo aniversário.

O histórico incidente do qual Petrov foi protagonista ocorreu na noite de 25 de setembro de 1983, perto de Moscou. Não fosse a atuação do oficial, poderia ter havido uma guerra nuclear entre as duas principais potências mundiais da época.

Petrov estava de guarda em um centro de comando do sistema de alerta de ataques com mísseis da defesa aérea, quando os equipamentos elétricos deram um falso aviso de lançamento de foguetes intercontinentais dos EUA contra alvos soviéticos.

No entanto, o oficial não confiou nos equipamentos. Após checar os dados, conseguiu encontrar o erro e desativar a tempo o sistema de alerta de ataque nuclear.

Apesar de a URSS ter sido classificada como o "Império do Mal" pelo então presidente americano, Ronald Reagan, Petrov se negou a acreditar que uma terceira guerra mundial estava começando. Sua reação de revisar os equipamentos evitou uma hecatombe nuclear.

Petrov, que recebeu meses depois uma das principais honrarias do Exército da União Soviética, nunca contou nada a sua família. A proeza se manteve em segredo até a queda do regime, em 1991.

Ele jamais se considerou um herói e afirmava que simplesmente tinha feito seu trabalho.

A história de Petrov, na época um tenente-coronel de 44 anos, é contatada no documentário O Homem que Salvou o Mundo, que estreou em 2014. / EFE

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