Mario Tama / Getty Images / AFP
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Morre quinto menor de idade guatemalteco sob custódia da patrulha de fronteira dos EUA

Carlos Gregorio Hernández Vasquez, de 16 anos, foi detido no dia 13 de maio; a autoridade migratória americana informou que a causa da morte ainda é desconhecida e que está investigando o caso

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 09h31

LOS ANGELES, EUA - Um adolescente de 16 anos morreu nesta segunda-feira, 20, sob custódia da patrulha de fronteira dos Estados Unidos, o quinto menor de idade guatemalteco que morre em circunstâncias similares desde dezembro.

O jovem, identificado como Carlos Gregorio Hernández Vasquez, "foi encontrado inconsciente durante uma ronda realizada de manhã" na estação fronteiriça de Weslaco, no Texas, segundo um comunicado da autoridade migratória.

O organismo afirmou que a causa da morte ainda é desconhecida e que "foi aberta uma investigação". As autoridades americanas indicaram que o menor foi detido no dia 13 de maio perto de Hidalgo, no Texas, e que no domingo manifestou mal-estar. "Ele foi avaliado e diagnosticado com influenza A", disse um funcionário da patrulha de fronteira à emissora CNN.

O menino foi aconselhado a tomar um antigripal e transferido para uma instalação em Weslaco para evitar o contágio de outros detidos. Cerca de uma hora depois, ele foi encontrado morto.

Hernández Vasquez iria ser transferido a um centro para jovens do Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Reassentamento de Refugiados, quando morreu. Segundo a lei federal americana, os menores desacompanhados devem ser transferidos a um centro do tipo em, no máximo, 72 horas depois de sua detenção. Ainda não se sabe os motivos que levaram Vásquez a não ser transferido.

A chancelaria guatemalteca informou que o jovem era do departamento de Baja Verapaz e que havia entrado nos EUA "buscando reunificação familiar". "O governo da Guatemala lamenta a morte deste menor guatemalteco, expressa sua condolências à família e solicita que, de maneira urgente, as autoridades americanas se pronunciem sobre a causa da morte e apontem os responsáveis pelo caso", de acordo com a nota.

Milhares de guatemaltecos e centro-americanos tentam todos os anos entrar nos EUA em busca do "sonho americano", fugindo principalmente da pobreza e da violência em seus países. Muitos imigrantes viajam com seus filhos menores de idade, alguns esperando que isso seja uma garantia para receber asilo e se estabelecer no território americano.

Mortes e maus-tratos na fronteira

Desde dezembro, cinco menores guatemaltecos morreram após serem detidos e colocados sob custódia pela patrulha de fronteira dos EUA. "Quantas mortes serão necessárias para que o governo garanta a segurança das crianças? Deve haver uma investigação independente sobre a morte deste ano", disse Ashley Houghton, diretora de campanhas táticas da Anistia Internacional nos EUA.

O primeiro caso foi registrado no dia 8 de dezembro. Jakelin Caal, de 7 anos e oriunda do município indígena de Raxruhá, morreu em um hospital americano enquanto estava sob proteção federal após cruzar ilegalmente a fronteira com seu pai.

Na semana passada, um menino de 2 anos morreu três dias depois de ser detido com sua mãe perto da ponte internacional de Paso del Norte, que separa El Paso, no Texas, de Ciudad Juárez, no México.

"Manter as crianças sob custódia vai contra nossos valores americanos. Ainda que tenhamos exigido que o governo (do presidente Donald) Trump mude suas práticas desumanas de detenção para evitar que ocorram mortes trágicas, temos recebido queixas de imigrantes sobre condições desumanas, detenções prolongadas, falta de refúgio, atendimento médico precário e abuso por parte dos agentes", disse Astrid Domínguez da ACLU, a maior organização de direitos humanos dos EUA.

O grupo denunciou na semana passada as supostas "atrocidades" às quais são submetidos os imigrantes sem documentos detidos no Valle del Río Grande. Segundo a ACLU, as crianças são forçadas a dormir ao ar livre, sobre um terreno rochoso ou lamacento, em temperaturas extremas, e não recebem atenção médica adequada. / AFP

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