Morre Robert Byrd, mais antigo senador dos EUA

Robert Byrd, o democrata de 92 anos da Virgínia Ocidental que atuou no Senado dos Estados Unidos durante 51 anos, morreu no começo do dia de hoje. Um porta-voz da família disse que Byrd morreu sem sobressaltos, por volta das 3 horas desta madrugada no Hospital Inova, em Fairfax, na Virgínia. Ele vinha enfrentando há anos problemas de saúde.

AE, Agência Estado

28 de junho de 2010 | 12h54

Um mestre nos procedimentos do Senado e um orador cujo tom forte era capaz de evocar as raízes da república, Byrd era o senador havia mais tempo no posto. Ele ocupou várias posições durante sua carreira, que o levaram de uma vida em meio às minas de carvão na Virgínia Ocidental ao posto de líder da maioria no Senado. Em seus primeiros anos, ele trabalhou como frentista, soldador e açougueiro autodidata, para então se tornar legislador pelo Estado da Virgínia Ocidental.

Após tornar-se deputado na Câmara dos Representantes em 1952, suas posições políticas passaram a ser vistas como as dos hoje extintos democratas conservadores do sul dos EUA, menos liberais do que o partido é atualmente. A reputação dele, porém, sempre foi além da ideologia, graças a seu poder de persuasão e até, em alguns momentos, pela capacidade de encampar manobras protelatórias para ganhar tempo em alguma sessão.

Byrd valorizava sua imagem autodeclarada de seguidor da Constituição, acusando o Executivo de usurpar poderes do Senado. Posteriormente, conseguiu como líder da maioria e membro do Comitê de Apropriações aprovar vários programas beneficiando seu Estado natal.

Início

Byrd começou no Senado em 1959, em princípio votado como um conservador do sul na vertente democrata. Ele votou a favor da Resolução do Golfo de Tonkin, que lançou as bases para o envolvimento militar dos EUA no Vietnã. Byrd chegou a fazer parte da Ku Klux Klan, um movimento notoriamente racista, mas posteriormente moderou sua posição em questões sociais e chegou a defender a Emenda pelos Direitos Iguais.

Em 1990, o senador se opôs à lei autorizando a Guerra do Golfo. Em 2002, também votou contra a guerra do Iraque, argumentando que o Senado estava abrindo mão de seu poder constitucional de declarar guerra. Nos últimos anos, considerou seu voto que resultou na Guerra do Vietnã como um "erro" e um "pecado".

Byrd era muito popular na Virgínia Ocidental, mas sua passagem pela Ku Klux Klan nos anos 1940 se tornou um tema da campanha quando ele tentou chegar à Câmara dos Representantes, em 1952. Ele conseguiu se eleger, argumentando que havia cometido um "erro da juventude".

Com pouco estudo formal, Byrd era um ávido autodidata, lendo dicionários inteiros, livros clássicos e em vários momentos citando poetas latinos durante sessões do Senado. "O conhecimento dele reflete mais aproximadamente o daquele de um senador do século 19 que um do século 20 ou 21", avaliou certa vez Don Ritchie, um historiador associado ao Senado. "Ele continua lembrando aos colegas que há razões para as coisas serem do jeito que são."

Apesar das dificuldades em sua vida, Byrd conseguiu se dedicar ao estudo do Direito. Em 1963, após uma década se dividindo entre o Parlamento e a sala de aula, tornou-se o único senador da história a receber um diploma de Direito enquanto estava no cargo. O presidente John F. Kennedy entregou o título ao senador, durante uma cerimônia de graduação na American University.

Byrd era "claramente o mais popular e a figura mais respeitada do Estado", notou o professor de ciência política Richard Brisbin, da Universidade da Virgínia Ocidental. "Ninguém usou mais as regras do Senado do que eu", gabou-se certa vez. Em 1960, ele realizou o mais longo discurso para protelar uma sessão no Senado, alongando sua fala por 21 horas e 8 minutos, enquanto comia um de seus alimentos preferidos: uvas passas.

Impeachment

Byrd teve papel importante durante o julgamento dos congressistas sobre o possível impeachment do presidente Bill Clinton, em 1998. Ele acabou sendo uma figura importante para a aprovação de uma moção de censura ao presidente, que sobreviveu ao escândalo envolvendo a estagiária Monica Lewinsky. Na última década, Byrd estava entre os mais duros críticos da administração do republicano George W. Bush. Em vários momentos, advertiu que o presidente deveria ler a Constituição ou estaria ameaçado de impeachment.

Pouco após as eleições de 2008, com problemas decorrentes da idade e por causa da crise econômica, Byrd anunciou que estava se afastando, após uma década, da liderança do Comitê de Apropriações. Desse posto, ele conseguiu vários benefícios para seu Estado em infraestrutura e serviços, como estradas, centros de saúde, bolsas de estudo e financiamentos para o ensino superior. Os críticos censuravam suas políticas excessivamente voltadas apenas para seus eleitores estaduais, mas outros elogiavam o progresso na Virgínia Ocidental. As informações são da Dow Jones.

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