Morre Suharto, ex-presidente da Indonésia

O ex-presidente da Indonésia, Suharto,cujo legado de desenvolvimento econômico foi marcado porcorrupção e abusos de direitos humanos durante seus 32 anos nopoder, morreu no domingo, aos 86 anos, de falência múltipla deórgãos. "Convido todo o povo da Indonésia a rezar para que as boasações e a dedicação do falecido à nação sejam aceitas por Alátodo-poderoso. E para a família que fica, que Alá possadar-lhes força para enfrentar esta provação", disse opresidente Susilo Bambang Yudhoyono em uma declaração. "O sr. Suharto fez um grande serviço para a nação,"acrescentou. Suharto estava em estado crítico no hospital desde o dia 4de janeiro. Apesar de sua queda humilhante em 1998, muitoslíderes regionais e a elite da Indonésia foram prestar suashomenagens nos últimos dias de vida do ex-presidente. O ex-primeiro ministro de Cingapura, Lee Kuan Yew, e oex-líder da Malásia, Mahathir Mohamad, foram para Jacarta paraprestar homenagem a Suharto pelo seu papel na estabilização daregião. A doença súbita de Suharto fez com que muitos indonésiosconsiderassem se Suharto deveria ser perdoado das acusações decorrupção durante o seu governo, ou se o processo deveriacontinuar. Autoridades disseram que o corpo de Suharto será levadopara a cidade real de Solo, em Java, na segunda-feira, para ofuneral. Suharto chegou ao poder após liderar o exército em 1965contra o que foi oficialmente chamado de uma tentativa de golpecomunista. Cerca de 500 mil pessoas foram mortas no expurgoanti-comunista que ocorreu nos meses seguintes. Nas três décadas seguintes, as forças armadas de Suhartocometeram vários abusos de direitos humanos, matando estudantesativistas, criminosos e opositores ao regime nas provínciasrebeldes de Aceh e Papua, bem como no Timor Leste, invadidopela Indonésia em 1975. Suharto foi obrigado a renunciar em 1998, quando a crisefinanceira na Ásia provocou caos econômico e social, levando apedidos por mais democracia. Durante seus anos no poder, Suharto, sua família eassociados haviam dominado quase todos os setores da economiada Indonésia, sendo donos de empresas aéreas, hotéis, pedágios,canais de TV e rádio. Os bens de Suharto foram avaliados entre 15 e 35 bilhões dedólares, ou 1,3 por cento do produto interno bruto do país,segundo o órgão Transparência Internacional. A família negou as acusações e Suharto sempre defendeu suainocência. Depois de deixar o poder, Suharto foi indiciado por desviarcentenas de milhares de dólares de dinheiro público, mas ogoverno desistiu do caso devido à saúde precária doex-presidente. No ano passado, promotores federais abriram um processocivil para a restituição de 440 milhões de dólares em verbasnacionais e mais um bilhão de dólares em danos de mau uso dodinheiro por uma das fundações beneficentes de Suharto.

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