Lee Jin-man/AP
Lee Jin-man/AP

Morre Sun Myung-moon, o 'messias' coreano

Famoso por cerimônias nas quais casava milhares, fundador da Igreja da Unificação era acusado de lavagem cerebral e apropriação indébita

O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2012 | 03h01

GAPYEONG, COREIA DO SUL - O reverendo Sun Myung-moon, autoproclamado "o Messias" da Igreja da Unificação, que fundou em 1954, morreu na madrugada desta segunda-feira, 3 (horário local na Coreia do Sul, noite de domingo em Brasília) aos 92 anos, na cidade sul-coreana de Gapyeong, ao noroeste de Seul. O religioso construiu um império empresarial e chamava de amigos líderes da Coreia do Norte e ex-presidentes dos EUA - países onde chegou a ser preso. Na Coreia do Norte, foi acusado de subornar políticos e, nos EUA, respondeu a dezenas de processos por evasão fiscal e sonegação.

Seus críticos o acusavam de fazer lavagem cerebral nos membros da seita. As suspeitas não impediram o fundador da Igreja da Unificação de converter sua visão religiosa em um movimento mundial e uma corporação de valor estimado em dezenas de bilhões de dólares, que se estende da Península Coreana aos EUA. Sun havia sido internado com pneumonia há duas semanas em um hospital de sua seita, disse Ahn Ho-yeul, porta-voz da entidade. O religioso nasceu em uma cidade localizada no território hoje pertencente à Coreia do Norte. Após sobreviver à guerra entre as Coreias (1950-1953). Fundou sua seita em Seul, pregando interpretações da Bíblia.

Sua igreja ficou famosa nas décadas de 70 e 80 por realizar cerimônias de casamento que, conduzidas pelo próprio reverendo, reuniam milhares de cônjuges - frequentemente vindos de países diferentes, que nunca haviam se encontrado antes. Sun pregava a construção de um mundo religioso multicultural, dizendo que Jesus Cristo o chamou pessoalmente para completar sua tarefa na Terra. "Casamentos internacionais e interculturais são a maneira mais rápida de concretizar um mundo ideal de paz", afirmou Sun em sua autobiografia.

A igreja afirma estar presente em 180 países e ter 3 milhões de adeptos. Ex-membros e outros críticos, porém, dizem que a entidade congrega cerca de 100 mil fiéis. Nos EUA, os bens da Igreja da Unificação incluem o jornal Washington Times, a Universidade Bridgeport, no Estado de Connecticut, o New Yorker Hotel, em Manhattan, e uma empresa de distribuição de frutos do mar que abastece restaurantes de sushi em todo o país. A entidade religiosa é dona de um resort de esqui, um time profissional de futebol e diversos outros negócios na Coreia do Sul. E também opera um hotel luxuoso de capital estrangeiro na Coreia do Norte, onde administra de maneira conjunta uma recém-inaugurada fábrica de automóveis.

O Brasil não ficou de fora dos investimentos da Igreja da Unificação. Em 2000, a entidade religiosa anunciou a compra do Clube Atlético Sorocaba, cuja equipe de futebol disputa atualmente a Copa Paulista. O valor da transação não foi revelado. A Polícia Federal investigava os negócios do reverendo no País desde 1999 - ano em que o religioso comprou 30 fazendas e hotéis no Mato Grosso do Sul, na região da fronteira brasileira com o Paraguai. Em 2000, uma comissão parlamentar que pediu uma investigação da Receita Federal sobre o império de Sun no Brasil descobriu que o reverendo comprou 56 mil hectares de terras em 43 municípios do Mato Grosso do Sul.

No lado paraguaio, o líder religioso comprou uma cidade inteira. Representantes da Igreja da Unificação pagaram US$ 17,5 milhões por cerca de 350 mil hectares de terras da empresa argentina Carlos Casado S.A., que havia 130 anos iniciara a colonização da região, dando origem à cidade de Puerto Casado, na qual moram 6 mil pessoas. / AP e AE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.