Morre Vartanian, o espião que evitou atentado nazista

Gevork Vartanian, um ex-espião da era soviética que ajudou a evitar um atentado nazista para assassinar os líderes aliados em Teerã em 1943, morreu aos 87 anos na terça-feira, informou nesta quarta-feira o Serviço de Inteligência Externa da Rússia, sucessor da extinta KGB, agência de espionagem soviética. O serviço russo de inteligência não informou a causa da morte de Vartanian.

AE, Agência Estado

11 de janeiro de 2012 | 21h05

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, enviou os pêsames à esposa de Vartanian, Goar, que trabalhou junto ao marido em missões de espionagem e ajudou a fortalecer a fama do legendário casal de espiões. Medvedev elogiou Vartanian em discurso nesta quarta-feira, como uma "figura legendária" que participou "de operações especiais brilhantes, que viraram parte da história da inteligência externa da nossa nação".

O serviço russo de inteligência disse que Vartanian, cujo pai era um agente da inteligência russa em Teerã, disfarçado de comerciante, começou a trabalhar para a União Soviética aos 16 anos. De origem armênia, Vartanian estudou em Erivan, então capital da República Soviética da Armênia.

Vartanian teve um papel crucial em evitar uma conspiração nazista para assassinar o ditador soviético Josef Stalin, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill, quando os três aliados fizeram uma conferência na capital iraniana em 1943.

O ditador alemão Adolf Hitler ordenou a operação "Longo salto" após a espionagem nazistas descobrir que os três líderes aliados fariam uma conferência em Teerã. A equipe de Vartanian descobriu e monitorou em Teerã uma equipe avançada de assassinato enviada por Hitler, o que levou à descoberta da conspiração. Vartanian e seus agentes captaram as mensagens de rádio que os nazistas enviavam de Teerã a Berlim, descobrindo então o esconderijo dos espiões alemães. Com a conspiração descoberta, o plano de assassinato foi abandonado.

O serviço de inteligência russo disse que Vartanian se juntou a uma escola britânica de espionagem em Teerã, onde obteve informações sobre os espiões que eram enviados à União Soviética, onde todos foram capturados. Mais tarde, Vartanian e Goar trabalharam juntos em vários países (não nomeados hoje pelo serviço secreto russo), entre 1950 e 1986. Como parte dos disfarces, eles se casaram várias vezes em países diferentes. A agência de notícias russa Itar-Tass informou que o casal de espiões trabalhou no Irã, Itália, França e Grécia, entre outros países. Vartanian recebeu a honraria máxima da União Soviética, a medalha de Herói da União Soviética. Ele se aposentou em 1992, um ano após a desintegração da União Soviética.

As informações são da Associated Press.

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