Morre viúva de presidente chinês expurgado por Mao

Wang Guangmei, viúva do ex-presidente Liu Shaoqi, expurgado pelo líder Mao Tsé-tung, e uma das mais belas e polêmicas mulheres do maoísmo, morreu nesta sexta-feira, em Pequim, aos 85 anos, informou neste sábado o jornal "South China Morning Post".Wang se tornou primeira-dama quando seu marido assumiu a Presidência, entre 1959 e 1968. Ao lado de Deng Xiaoping e com o objetivo de recuperar a economia, ele tentou relegar Mao a uma Presidência simbólica, após a catástrofe do seu Grande Salto para a Frente.Liu foi percebido por Mao como um rival político. Acabou sendo detido pela Guarda Vermelha, em 1966, no início da Revolução Cultural promovida pelo líder comunista. Morreu na prisão, em 1969, após ter sido brutalmente espancado e privado de alimentos.Wang, nascida em 1921 numa família de alta categoria na República, era considerada um símbolo de beleza, sofisticação e inteligência. Foi uma das poucas mulheres da época a receber uma educação refinada.A ex-primeira-dama se graduou em Física Nuclear pela Universidade Católica de Fu Jen, de Pequim, em 1943. Fluente em inglês, trabalhou como intérprete para o representante americano George Marshall, que foi um intermediário entre Mao e o nacionalista Chiang Kai-shek no fim da Segunda Guerra Mundial.Em 1946, começou a trabalhar no Partido Comunista e conheceu Liu Shaoqi, 23 anos mais velho. Trabalhou como sua secretária durante 18 anos, depois de se casarem, em 1948. A beleza e popularidade de Wang irritaram Jiang Qing, mulher de Mao e um dos cérebros da Camarilha dos Quatro. Ela acusou Wang de ser uma espiã dos Estados Unidos. A primeira-dama foi detida em 1967 e passou 12 anos na prisão. Foi liberada em 1979, um ano depois da revisão do caso de seu marido quatro anos após a morte de Mao.Wang foi uma figura polêmica por atrair a simpatia de Mao, de quem freqüentemente recebia convites para nadarem juntos. Ela sempre se negou a mostrar qualquer tipo de rancor, insistindo na lealdade de seu marido ao fundador da China comunista. Depois de deixar a prisão, Wang se tornou diretora do Birô de Relações Exteriores da Academia Chinesa de Ciências Sociais e foi nomeada membro do Comitê Permanente da Assembléia Nacional Popular (Parlamento).A ex-primeira-dama voltou à vida pública em 1995, com a fundação do Projeto Felicidade, que ajuda milhares de mulheres chinesas com assistência médica. Até o momento, o programa beneficiou a 690 mil pessoas, segundo a agência oficial "Xinhua". Wang doou as antiguidades de sua família para o projeto.A imprensa oficial chinesa manteve hoje silêncio sobre a morte da ex-primeira-dama.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.