Morrem oito civis em novos combates em Mogadíscio

Oito civis morreram e 20 foram feridos nos combates de sexta-feira em Mogadíscio entre forças leais ao governo da Somália e milicianos islâmicos, confirmaram neste sábado fontes médicas na capital."Atendemos 15 feridos, mas sabemos que muitos outros não puderam chegar ao hospital", disse à agência Efe Abdi Adan Abdulle, médico chefe do departamento de emergências do hospital Madina. Ele ressaltou que as instalações hospitalares estão lotadas, com feridos de combates anteriores."O hospital está cheio e começamos a pôr os pacientes à sombra das árvores porque não temos instalações para cobrir as necessidades de tantas vítimas", disse o médico.Segundo testemunhas, os combates de sexta-feira começaram com tiros de morteiro dos milicianos, supostamente leais à União das Cortes Islâmicas (UCI). Eles atacaram um destacamento de tropas etíopes no edifício do Ministério da Defesa.Os soldados etíopes e as forças do governo responderam com fogo de artilharia e armas de grande calibre, causando a morte de seis pessoas, inclusive uma mulher e seus dois filhos, que foram soterrados sob os escombros de sua casa no distrito de Karan.Outras duas pessoas morreram quando sua casa, no distrito de Hamar Jabjab, no leste de Mogadíscio, também foi destruída pelos tiros de canhão das forças governamentais.Milhares de pessoas fugiram de Mogadíscio para escapar do fogo cruzado entre as facções e se refugiaram nos povoados vizinhos. Quem ficou vive com medo de ser a próxima vítima de ataques.O ministro da Defesa do governo de Transição, Salad Ali Jelle, chamou de "atentado terrorista" o ataque dos milicianos islâmicos."Foram terroristas que atacaram a base das forças governamentais e seus aliados etíopes", disse Jelle. "Os civis não devem permitir que disparem morteiros das suas casas, caso contrário os soldados do governo não têm opção a não ser disparar em defesa própria", acrescentou.A UCI, em junho, tinha tomado o controle da capital da Somália, e outras cidades estratégicas do sul do país, onde impôs um regime fundamentalista baseado na "sharia" (lei islâmica). A Etiópia enviou tropas ao país vizinho ao sentir que sua segurança fronteiriça era ameaçada pelo avanço dos milicianos.Apesar da ferrenha disciplina imposta pelo regime islâmico, parte da população apoiou a UCI porque ela restaurou momentaneamente a paz no país, imerso no caos desde a queda, em 1991, do ditador Mohammed Siad Barre.

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