Morsi declara estado de emergência no Egito

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, declarou neste domingo estado de emergência por 30 dias no país, além de toque de recolher em três províncias do Canal de Suez, atingidas mais fortemente pela onda de violência política durante o fim de semana, que deixou mais de 50 mortos.

Agência Estado

27 de janeiro de 2013 | 19h05

Morsi anunciou a medida em um pronunciamento transmitido pela televisão. Nervoso, ele prometeu que não hesitará em agir para combater a violência no país. O presidente também convidou as forças políticas do país para diálogos a partir de segunda-feira para resolver a crise.

Protestos na cidade de Port Said, no Egito, deixaram três mortos neste domingo, um deles um adolescente, segundo autoridades. Outras 433 pessoas ficaram feridas no segundo dia de conflitos na cidade. Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Port Said para um funeral em massa dos 37 mortos nos confrontos do dia anterior, protestando contra Morsi.

A violência eclodiu quando algumas pessoas da multidão atiraram e a polícia reagiu com gás lacrimogêneo, disseram testemunhas. "Estamos muito preocupados com o que pode ocorrer após o funeral", disse um ativista, afirmando que a cidade está sob tensão.

Durante o funeral, tropas do Exército, apoiadas por veículos blindados, protegiam prédios estatais e tentavam restaurar a ordem. Enquanto isso, os participantes do funeral entoavam frases como: "Não há outro Deus que não Alá" e "Morsi é inimigo de Deus". O comércio na cidade está fechado pelo segundo dia seguido.

Os conflitos em Port Said eclodiram no sábado após uma corte condenar e sentenciar 21 réus à morte por suas participações em um confronto em massa durante uma partida de futebol em 1º de fevereiro de 2012, que deixou 74 mortos. A maior parte dos réus é composta de torcedores. A corte ainda decidirá o futuro de 73 outros réus em março. Os conflitos em Port Said já haviam deixado pelo menos 31 mortos no sábado.

A onda de violência é a mais recente de uma crise que deixou um total de 48 pessoas mortas em dois dias, incluindo 11 mortos em confrontos entre a polícia e manifestantes, marcando o segundo aniversário do levante que derrubou o regime do então presidente Hosni Mubarak. No Cairo, manifestantes entraram em confronto com a polícia nas proximidades da Praça Tahrir, o símbolo do levante contra Mubarak. Eles também bloquearam a ponte 6 de Outubro, que liga as zonas leste e oeste da cidade.

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, cancelou uma viagem à Etiópia no sábado e, em vez disso, se reuniu pela primeira vez com altos generais que fazem parte de um Conselho Nacional de Defesa recém-formado.

Confrontos também eclodiram na cidade de Suez, onde pelo menos oito pessoas morreram na sexta-feira. Os manifestantes invadiram quatro delegacias de polícia e libertaram 25 presos, além de roubar armas. Neste domingo embarcações da Marinha estavam escoltando navios mercantes no Canal de Suez, que também era sobrevoado por helicópteros do Exército.

Enquanto isso, a oposição ameaça boicotar as eleições parlamentares que se aproximam se Morsi não encontrar uma "solução abrangente" para o tumulto. A Frente de Salvação Nacional, principal coalizão de partidos e movimentos contrários aos islamitas que estão no poder, disse que "não vai participar da votação" se não for formado um "governo de salvação nacional". As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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