Amr Dalsh/Reuters
Amr Dalsh/Reuters

Morsi é condenado a 20 anos de prisão por repressão no Egito

Em dezembro de 2012, vários manifestantes foram mortos após repressão violenta durante ato em frente ao palácio presidencial

Efe

21 de abril de 2015 | 09h20

CAIRO - O Tribunal Penal do Cairo condenou nesta terça-feira o presidente deposto do Egito, Mohammed Morsi, a 20 anos de prisão pelos incidentes violentos ocorridos em frente ao palácio presidencial de Itihadiya, em dezembro de 2012, que terminaram com a morte de vários manifestantes.


Segundo a decisão do presidente da corte, o juiz Ahmed Sabri, Morsi e outras 12 pessoas tiveram a mesma punição por uso da força, violência e prisão de pessoas acompanhada de maus-tratos e tortura.



O magistrado considerou o grupo inocente de duas acusações: assassinato com premeditação e porte ilegal de armas, pelas quais poderiam ter sido condenados à morte.


Esta é a primeira condenação de Morsi, deposto em julho de 2013 em um golpe militar liderado pelo então chefe do Exército e atual presidente, Abdul Fatah al Sisi, depois de vários dias de grandes protestos nas ruas do país.


Além de Morsi, foram sentenciados a mesma pena vários integrantes da Irmandade Muçulmana, entre eles Essam al Arian, vice-presidente do Partido Liberdade e Justiça (PLJ) - braço político da Irmandade -, e o membro do comitê executivo da legenda, Mohammed Beltagui, de acordo com a decisão judicial divulgada nesta terça-feira.


Outras duas pessoas receberam uma pena de dez anos de prisão durante a sessão final do julgamento, que durou apenas dez minutos. Apenas nove dos processados compareceram à sessão, enquanto seis foram condenados à revelia.


A decisão judicial estipula, além disso, cinco anos de vigilância policial para todos os condenados após o cumprimento das penas.


O processo também foi remetido à Corte Civil de Indenizações, para que os condenados reparem os danos financeiros causados por seus crimes.


O advogado de Morsi, nomeado pela corte depois da saída do defensor original, Sayed Hamed, disse à Agência Efe que a decisão foi "equilibrada", mas revelou que recorrerá ao Tribunal de Cassação.


O caso teve início no dia 5 de dezembro de 2012, quando protestos em frente ao palácio presidencial contra Morsi terminaram com a morte de vários manifestantes.


O ex-presidente, dirigente da Irmandade Muçulmana e preso na prisão de Burg al Arab, no nordeste do Egito, negou as acusações nos julgamentos anteriores e sempre destacou que continua sendo o "presidente legítimo" do país.


Morsi enfrenta outras acusações, entre elas insultar o judiciário, fugir de uma prisão durante a revolução que derrubou Hosni Mubarak em 2011 e entregar informações confidenciais a países e organizações estrangeiros.


Desde a queda de Morsi, as autoridades vêm perseguindo os simpatizantes, integrantes e líderes da Irmandade Muçulmana, declarada como grupo terrorista pelo país em dezembro de 2013.

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