Morsi faz apelo à oposição egípcia em meio à crise

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, disse neste sábado na Câmara Alta do Parlamento que a nova Constituição do país garante direitos iguais a todos os cidadãos e fez um apelo à oposição para que trabalhe junto ao governo em um momento de grave crise econômica. A Câmara Alta (Shura), de 270 cadeiras, equivale ao Senado e foi investida com poderes legislativos até que um novo parlamento seja eleito em dois meses. Desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, a economia do Egito está em crise. O Fundo Monetário Internacional (FMI) suspendeu recentemente um empréstimo de US$ 4,8 bilhões ao país e as reservas internacionais do Egito caíram de US$ 36 bilhões em 2010 para US$ 15 bilhões atualmente.

AE, Agência Estado

29 de dezembro de 2012 | 19h21

"Todos precisam perceber as necessidades do momento", disse Morsi, e trabalhar "dentro de uma democracia amadurecida, evitando a violência". "Rejeitamos todas as formas de violência feitas por indivíduos, grupos e instituições. Isso é totalmente rejeitado" afirmou. Morsi disse que o Egito precisa mudar o foco para "a produção, o trabalho, seriedade e esforço". Em novembro, Morsi ampliou os próprios poderes por decreto e se colocou acima do judiciário. Os protestos da oposição secular, que acusa Morsi e seu grupo, a Irmandade Muçulmana, de arrogância e monopólio do poder, deixaram pelo menos 10 mortos no Cairo. Morsi revogou os decretos.

Até agora, a oposição egípcia tem rejeitado o diálogo. Ahmed Maher, chefe do movimento 6 de abril, que ajudou a derrubar Mubarak no ano passado, disse que o discurso feito neste sábado por Morsi não oferece "nada de novo", além de reconhecer os graves problemas financeiros e econômicos do país. Ele afirmou que seu movimento não entrará em negociações com o governo enquanto a Irmandade Muçulmana "não abandonar parte da sua arrogância e teimosia".

O governo pediu o empréstimo ao FMI para cobrir o déficit no orçamento. Mas as negociações foram interrompidas, após Morsi ter derrubado um plano para subir os impostos sobre vários produtos, o que poderia irritar a população. Cortes nos subsídios aos alimentos e ao combustível também são uma grande preocupação entre os egípcios. Cerca de 40% dos 85 milhões de habitantes vive com menos de US$ 2 por dia, na linha da pobreza ou abaixo da linha da pobreza. Nesta semana, a agência de classificação de risco Standard & Poor''s rebaixou a nota de crédito dos bônus egípcios para B-, seis patamares abaixo do grau de investimento. "A razão (para o rebaixamento) é a falta de estabilidade política no passado recente", disse Morsi.

"Todos nós sabemos quais são os interesses da nação. Alguém aqui ficaria feliz se a nação fosse à falência? Eu não duvido das boas intenções de todos. Mas pode alguém ficar feliz se o país for exposto à fraqueza econômica?" questionou Morsi.

Neste sábado, compareceram à Shura figuras de liderança política no país, como o novo papa da Igreja Copta, Tawdros II, sentado perto do principal clérigo islâmico sunita do Egito, o xeque Ahmed al-Tayeb, da mesquita de Al-Azhar. Os chefes da Irmandade Muçulmana e do movimento ultraconservador islâmico salafista também estavam na Shura, bem como o ministro da Defesa e outros integrantes do gabinete.

Morsi também afirmou que a nova Constituição garante a igualdade para todos. "Todos são iguais perante a lei e nesta Constituição", disse o presidente sobre o documento, acrescentado que haverá "liberdade para todas as pessoas, sem exceções". A Constituição tem sido severamente criticada por ativistas de direitos humanos e pela oposição secular do país. Segundo eles, o documento fracassou em garantir direitos às mulheres e possui potencial para limitar a liberdade de expressão e religiosa. As informações são da Associated Press e Dow Jones.

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