Morsi rejeita ultimato dado pelo Exército e agrava crise no Egito

Presidente diz não ter sido consultado e prometeu seguir plano próprio de reconciliação nacional

O Estado de S. Paulo,

02 de julho de 2013 | 10h06

CAIRO - O presidente do Egito, Mohamed Morsi, rejeitou um ultimato militar para forçar uma resolução da crise política no país. Ele disse nesta terça-feira, 2, que não foi consultado e  seguirá seus próprios planos para a reconciliação nacional. Em meio a essa posição de confronto, no entanto, seis ministros de seu governo já renunciaram. O prazo dado pelas Forças Armadas acaba amanhã.

Jornais de todo o espectro político viram o ultimato de 48 horas imposto na segunda-feira pelo Exército como um ponto de inflexão. "Últimas 48 horas de governo da Irmandade Muçulmana", estampou o oposicionista El-Watan. "Egito espera o Exército", disse o estatal El Akhbar.

Manifestantes permaneceram acampados durante a noite na praça Tahrir, no centro do Cairo, e líderes convocaram outro grande protesto para a noite desta terça-feira na esperança de forçar Morsi a renunciar. Dirigentes da Irmandade Muçulmana, à qual Morsi é ligado, usaram a palavra "golpe" para descrever o ultimato militar.

"O presidente da República não foi consultado sobre a declaração emitida pelas Forças Armadas", disse o a presidência egípcia, em comunicado. "A Presidência vê que algumas declarações por elas transmitidas acarretam significados que podem causar confusão no complexo ambiente nacional. A presidência confirma que levará adiante seu caminho previamente traçado para promover uma ampla reconciliação nacional ... independentemente de quaisquer declarações que aprofundem as divisões entre os cidadãos."

O Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade, disse que cabe apenas ao povo egípcio traçar seu caminho e que isso ocorreu no referendo que aprovou a Constituição, em dezembro. O partido conclamou o povo a "se mobilizar para defender a legitimidade constitucional e expressar sua recusa a qualquer golpe contra ela".

Descrevendo o regime civil como uma grande conquista da revolução de 2011, Morsi disse que não permitirá que o relógio ande para trás. Primeiro líder livremente eleito na história egípcia, ele está no cargo há apenas um ano. Muitos egípcios estão impacientes com sua gestão econômica e com sua incapacidade de conquistar a confiança dos não islâmicos. / REUTERS

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