Mortadela, só na Itália. Proposta da EU para suas marcas

Mortadela é nome típico de um produto da região italiana e, portanto, deveria ser utilizados só para o embutido fabricado lá. Pelo menos essa é a tese da União Européia, que quer proteger seus produtos de origem da concorrência de outros países. Hoje, divulgou uma lista contendo 41 tipos de vinho, queijos e outros produtos mundialmente conhecidos por seus nomes, que deseja proteger por um acordo internacional.Segundo a proposta ? a que se opõem Estados Unidos, Canadá e outras nações ? produtos com denominações como presunto de Parma, vinho Mosela ou queijo Roquefort só poderão ostentar esse rótulo se procederem realmente dessas regiões.A EU não é a única que deseja defender seus produtos da concorrência externa. A Guatemala também quer salvaguardas para seu café Antigua, a Índia, para o chá Darjeeling, o Sri Lanka para o chá do Ceilão, e a Suíça, para o queijo Etivaz. Mas foi a comunidade que bateu de frente com os Estados Unidos e outras nações da América Latina, que alegam que muitos desses produtos foram levados para suas terras pelos imigrantes europeus e, há gerações, são fabricados em seus países adotivos.Em acordos comerciais bilaterais recentes, porém, a EU exigiu, e conseguiu, por exemplo, que os viticultores chilenos deixem de usar os nomes de Champagne e Bordeaux para distinguir seus produtos.?Os abusos cometidos em outros países minam a reputação dos produtos da EU e confundem os consumidores?, diz o comissário de Comércio da EU, Pascal Lamy. ?Queremos que acabe essa situação de produtos mais usurpados.?Nas negociações comerciais que acontecerão em Cancún, no México, a EU deseja criar um registro global de produtos definidos geograficamente, o que impedirá o uso de denominações de origem em produtos que não procedam dessas regiões.Na Lista de 41 produtos, divulgada hoje, figuram, entre outros, os vinhos Beaujolais, Chianti e Madeira; os queijos Feta, Gorgonzola, Roquefort e Manchego; o presunto de Parma e a Mortadela; os torrões de Jijona e Alicante. Alguns países dizem que esses nomes são genéricos e já foram registrados como marca por produtores locais.Mas esse é só o começo. A EU pedirá, posteriormente, proteção de outros 600 ?produtos regionais de qualidade? E pretende incluir produtos peculiares de Chipre, Malta e oito nações da Europa Oriental, que, em maio do ano que vem, se unirão à comunidade.

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