Warrick Page/The New York Times
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Morte de Bin Laden completa 5 anos

No dia 2 de maio de 2011, Obama anunciava que terrorista saudita havia sido abatido por membros das forças especiais da Marinha dos EUA

O Estado de S. Paulo

30 Abril 2016 | 20h14

WASHINGTON - Após várias reuniões, no dia 29 de abril de 2011, o presidente dos EUA, Barack Obama, deu sinal verde para a Operação Lança de Netuno, que atacaria o complexo de Abbottabad, no Paquistão, onde estava encastelado o terrorista Osama bin Laden. O então diretor da CIA, Leon Panetta, mandou executar as ordens dois dias depois.

Bin Laden estava no local havia pelo menos cinco anos, segundo a inteligência americana. As primeiras informações foram conseguidas em depoimentos de presos em Guantánamo, que levaram a Abu Ahmed al-Kuwaiti, mensageiro usado pelo saudita, que havia deixado de falar ao telefone em 1998, quando quase foi morto pelos EUA após ter uma ligação rastreada. Meses antes da operação, a CIA alugou uma casa em Abbottabad, de onde vigiava Bin Laden por meio de informantes e até de um programa falso de vacinação contra pólio em crianças que viviam no complexo. 

Na tarde do dia 1.º de maio (madrugada do dia 2 no Paquistão), Obama e vários assessores de Inteligência e Segurança Nacional, incluindo a então secretária de Estado, Hillary Clinton, e o vice-presidente, Joe Biden, se trancaram na Sala de Emergência da Casa Branca para acompanhar a operação. 

Dois helicópteros Black Hawks decolaram de Jalalabad, no Afeganistão, e dois Chinooks ficaram de apoio para qualquer eventualidade. A bordo, 23 seals (membros das forças especiais da Marinha), um intérprete e um cão farejador. O voo demorou uma hora e meia. O governo paquistanês não foi informado da operação.

As coisas começaram a dar errado quando um dos helicópteros teve uma pane sobre o complexo. O clima quente fez o Black Hawk perder o controle. A cauda e o rotor se chocaram contra uma das paredes. O piloto agiu rapidamente e os seals conseguiram desembarcar no pátio externo. 

Sem o elemento-surpresa, os seals usaram explosivos em paredes e portas. Eles se espalharam pelos três andares do complexo a partir do térreo e trocaram tiros com guarda-costas de Bin Laden. Quando três dos agentes chegaram ao andar de cima, viram o terrorista saudita no fim do corredor e o reconheceram instantaneamente. 

Bin Laden tentou fugir agachado para seu quarto. Os três seals imaginaram que ele tivesse ido buscar uma arma. Havia duas mulheres na frente de Bin Laden. Elas gritavam e tentavam protegê-lo. O primeiro dos agentes, temendo que elas tivessem usando coletes com explosivos, agarrou as duas e as empurrou para longe. O segundo seal atirou no peito e na cabeça de Bin Laden. 

Após fotografar o corpo, a equipe enviou para a Casa Branca a mensagem “Geronimo” - código para missão cumprida. Em seguida, para atestar que se tratava mesmo do terrorista, eles tomaram as medidas do cadáver, enviaram as fotos para a sede da CIA, em Langley, e fizeram um exame de DNA em tempo recorde. Após a confirmação da identidade, o corpo foi levado para o porta-aviões USS Carl Vinson. Lá, ele foi lavado e enrolado em uma toalha branca, seguindo os rituais islâmicos, e lançado no Mar Arábico.

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