Morte de Bin Laden é trunfo político para Obama

Analista da BBC diz que campanha de Obama usa tom de 'ostentação' ao falar da captura do líder extremista.

Mark Mardell, BBC

01 Maio 2012 | 16h03

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está sendo acusado pela oposição de tentar tirar proveito político da morte de Osama Bin Laden, há um ano.

Isso não surpreende. Ele está mesmo fazendo bastante alarde em torno do assunto.

A questão é se isso não seria de mau gosto e se a campanha de Obama não estaria politizando algo que deveria estar acima da política.

O vice-presidente americano, Joe Biden, disse que um adesivo resumindo os quatro anos do governo Obama poderia dizer simplesmente: "Bin Laden está morto. General Motors está viva".

E a equipe que trabalha na campanha para a reeleição do presidente não está deixando ninguém sair dizendo que o ataque das forças americanas foi o resultado inevitável de decisões óbvias tomadas por figuras obscuras da máquina administrativa.

Muito pelo contrário. Eles insistem que o presidente fez um telefonema corajoso e difícil, contrariando os conselhos de muitos à sua volta.

Essa versão é apresentada de forma explícita em um novo vídeo da campanha, narrado pelo ex-presidente Bill Clinton.

Vários relatos detalhados parecem confirmar a ideia de que Obama foi, na ocasião da morte de Bin Laden, um líder forte, com nervos de aço quando se trata de correr riscos.

E é certamente verdade que se a operação tivesse dado errado, as consequências políticas teriam sido imensas.

Pense na sangrenta operação Black Hawk Down, também conhecida como a Batalha de Mogadishu, na Somália, em 1993. Pense na tentativa fracassada do ex-presidente americano, Jimmy Carter, de resgatar reféns na embaixada americana em Teerã, no Irã, em 1980. Depois, eleve isso à décima potência.

O vídeo também sugere, de forma bastante explícita, que Mitt Romney, o candidato republicano, não teria tomado a mesma decisão que Obama. E cita a seguinte declaração de Romney:

"Não vale a pena mover céu e terra, gastar bilhões de dólares, apenas para tentar pegar uma pessoa."

Segundo a emissora Fox News, a citação é injusta e fora do contexto porque após essa frase, Romney teria acrescentado: "Ele vai pagar. Ele vai morrer".

Não é de surpreender que Obama queira usar a morte de Bin Laden como um símbolo. Pode não ter sido a única conquista de seu governo. Mas foi a única a não ser adulterada por políticas partidárias, a única a ser comemorada por praticamente todos os americanos, de todas as inclinações políticas.

Foi também uma notícia recebida com júbilo por alguns daqueles que consideravam Obama um fraco em matéria de segurança nacional.

Para os que se preocupam com o fato de que ele busca por demais o consenso e hesita, essa versão do presidente mostra um homem que consegue correr riscos.

O fato de que Obama pegou Osama parece servir como contexto, dando aval a qualquer outra, mais polêmica, decisão de sua política externa.

Era inevitável que isso seria usado na campanha, mas a equipe parece ter optado por um tom que sugere bravata e até ostentação.

Também é inevitável que a oposição acuse o presidente de falta de modéstia.

A crueza da campanha do presidente pode afastar alguns, mas qualquer briga resultante servirá apenas para destacar que Bin Laden foi, de fato, morto sob o olhar atento e as ordens de Barack Obama. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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