Morte de Bin Laden foi 'justiça', diz premiê paquistanês

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, disse hoje que com a morte de Osama bin Laden, durante um ataque norte-americano, "foi feita justiça de fato" e afirmou que o relacionamento com os Estados Unidos continua forte. Apesar disso, ele advertiu Washington que futuros ataques unilaterais podem ser respondidos com "força total".

AE, Agência Estado

09 de maio de 2011 | 12h31

Gilani também expressou confiança no Exército paquistanês e na agência de inteligência Inter-Services Intelligence (ISI, pela sigla em inglês), alvo de duras críticas por não ter enfrentado o grupo de operações especiais da Marinha norte-americana (Seal), que realizou o ataque com helicópteros sem a notificação prévia do Paquistão.

A operação foi realizada em 2 de maio em Abbottabad, cidade a apenas duas horas e meia da capital do país, Islamabad. A localização do esconderijo de Bin Laden levantou suspeitas de que autoridades paquistanesas sabiam onde o líder da Al-Qaeda estava se escondendo e que podem tê-lo ajudado.

O primeiro-ministro negou essas acusações, afirmando que "seria desonesto qualquer um culpar o Paquistão ou as instituições do Estado paquistanês, dentre elas a ISI e as Forças Armadas, por agirem em parceria com a Al-Qaeda". "Acusações de cumplicidade ou incompetência são absurdas. O Paquistão não é o local de nascimento da Al-Qaeda", disse Gilani em discurso no Parlamento. "Nós não convidamos Osama bin Laden para vir ao Paquistão ou mesmo ao Afeganistão."

Gilani concordou que o fracasso em encontrar Bin Laden, que vivia em Abbottabad havia quase seis anos, foi um erro. Mas disse que não foi um erro apenas do Paquistão. "Sim, foi um fracasso a inteligência", disse Gilani. "Não foi apenas nosso, mas de todas as agências de inteligência do mundo." Ele disse que o Exército vai realizar uma investigação sobre o ataque e que oficiais militares farão um resumo do inquérito ao Parlamento ainda neste mês.

O Exército paquistanês enviou caças F-16 e homens para o local onde Bin Laden residia assim que soube do ataque, afirmou Gilani. Embora eles fossem incapazes de interceptar as forças norte-americanas antes de elas voltarem ao Afeganistão, ele mostrou confiança na performance das forças paquistanesas. "Nossa resposta demonstra que nossas Forças Armadas reagiram e era isso que se esperava delas", afirmou Gilani.

Ele advertiu os Estados Unidos contra o lançamento de futuros ataques desse tipo, dizendo que "o unilateralismo traz o risco inerente de sérias consequências". O Paquistão se reserva o direito de retaliar com força total", disse Gilani. "Ninguém deve subestimar a determinação e capacidade de nosso país e de nossas Forças Armadas de defender nossa terra natal sagrada."

No entanto, ele afirmou que as relações com os Estados Unidos continuam fortes e que os dois países têm trabalhado bem juntos durante esse período de crise. "Nossa comunicação em níveis oficial e diplomático com os Estados Unidos durante esta fase tem sido boa, produtiva e honesta", disse.

Gilani também elogiou o resultado do ataque. "Osama bin Laden foi o terrorista mais procurado e o inimigo número um do mundo civilizado", disse. "A eliminação de Osama bin Laden, homem que deu início a várias ondas de ataques terroristas contra paquistaneses inocentes, foi certamente a concretização da justiça". As informações são da Associated Press.

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