Morte de Bin Laden não debilitaria a Al Qaeda, diz analista

A rede terrorista islamita Al Qaeda "não seria debilitada" pela morte de seu líder, Osama bin Laden, segundo o diretor do Instituto francês de Relações Internacionais e Estratégicas (Íris), Pascal Boniface, que considera "muito crível" a "hipótese" de seu falecimento."A ameaça terrorista não se resume a um só homem e a Al Qaeda não seria debilitada pela morte de quem a fundou", afirma Boniface neste domingo ao "Journal du Dimanche", depois que filtragens jornalísticas relançassem as dúvidas sobre o paradeiro do suposto mentor dos atentados de 11 de Setembro nos EUA.Os Governos de França, Estados Unidos, Arábia Saudita e Paquistão asseguraram que não podem confirmar a morte de Bin Laden, da qual estariam convencidos os serviços secretos sauditas, segundo um documento elaborado pelos serviços secretos franceses (DGSE).Segundo a nota confidencial da DGSE, citada no sábado pelo jornal "L´Est Republicain", os serviços secretos sauditas estão convencidos de que Bin Laden morreu vítima de uma crise tifóide aguda quando se encontrava no Paquistão, em 23 de agosto, e tentam agora conhecer o local exato onde ele foi sepultado.A fonte, qualificada de "habitualmente confiável" na nota, é originária do Golfo Pérsico, mas não é saudita, e os serviços secretos franceses não puderam confirmar a informação com outras fontes, incluindo seus homólogos sauditas, indica a imprensa. Boniface assinalou que o único fato conhecido "com certeza há muito tempo" é que Bin Laden "está gravemente doente", e acrescentou que a hipótese de sua morte é "muito crível" e que a única forma de comprová-la seria achar o corpo e fazer análises genéticas.Mesmo que Bin Laden tivesse morrido no dia seguinte aos atentados de 11 de setembro, "sua morte não teria mudado nada. Não teria impedido os atentados ocorridos desde então", afirmou Boniface. A Al Qaeda "já não tem nada a ver" com o que era antes dos atentados de 2001, disse o analista, ao relembrar que "o que conta agora são as células terroristas que se reivindicam da rede, mas que não têm laços reais com ela", como foi visto nas detenções após os atentados de Londres.

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