Morte de candidatos marca voto hondurenho

Analistas estimam que de 21 a 35 políticos tenham sido assassinados; mulher de Zelaya tenta ser presidente

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2013 | 02h11

Quatro anos depois do golpe de Estado que tirou o presidente Manuel Zelaya do poder, os hondurenhos voltam as urnas hoje para escolher o sucessor do presidente Porfírio "Pepe" Lobo ameaçados pela violência relacionada ao tráfico e a má situação econômica do país.

Praticamente empatados nas pesquisas estão a mulher de Zelaya, Xiomara Castro, do Partido Libre, criado pelos zelaístas após o golpe, e o candidato do governo, Juan Orlando Hernández, do Partido Nacional. Segundo as pesquisas, Xiomara tem 27% da intenção de voto. Hernández é o preferido de 28% dos eleitores. "Sempre estive ao lado dele em sua vida política", disse Xiomara no encerramento da campanha. "Todos sabem que temos 37 anos de vida comum." Zelaya é o principal coordenador político do Libre e candidato a deputado.

País mais violento da América Latina, com uma taxa de 85,5 homicídios por 100 mil habitantes, e foco de atuação de gangues que transportam drogas da América do Sul para o México e EUA, Honduras testemunhou ao menos 21 assassinatos de candidatos durante a campanha deste ano, de acordo com levantamento do Observatório de Violência da Universidade Nacional Autônoma (Unah). Dez vítimas pertenciam ao Libre, sete ao Partido Nacional, três ao Partido Liberal e um do Partido Anticorrupção.

"O Libre é um partido recente e muita gente tem se engajado nele desde o golpe. A legenda surgiu como uma terceira força política no cenário hondurenho (polarizado pelos partidos Liberal e Nacional), o que fez que seus candidatos ficassem mais expostos", disse ao Estado a coordenadora do Observatório, Migdonia Ayestas. "Geralmente essas execuções são feitas por pistoleiros em motos."

Segundo Migdonia, no entanto, em razão da lentidão da Justiça hondurenha e da polícia é impossível concluir quem está por trás dessas execuções. "Dificilmente esses crimes são investigados", diz.

Outro estudo, divulgado no fim de outubro pela ONG canadense Rights Action, que atua na América Central, contabiliza 35 mortes de candidatos na campanha, 18 delas de membros do Libre. "A clara desproporção entre o número de ataques a candidatos do Libre e de outros partidos indica que são ações com motivação política", diz o relatório da Rights Action.

O Libre foi fundado por Zelaya em outubro de 2010, depois do fim do impasse político que envolveu sua deposição, retorno clandestino ao país e refúgio na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa por mais de quatro meses. Com a posse de Lobo, em janeiro de 2010, Zelaya deixou a missão diplomática.

Lula. Após organizar as bases do partido, Zelaya lançou sua mulher, Xiomara Castro, como candidata no começo deste ano. A campanha contou com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gravou um vídeo pedindo votos para a ex-primeira dama. "A candidatura da companheira Xiomara Zelaya, com seu novo partido Libre, é um grande momento de renovação e esperanças para Honduras", diz o ex-presidente no vídeo. O presidente do Tribunal Supremo Eleitoral de Honduras, David Matamoros, criticou publicamente a divulgação do vídeo e cobrou explicações do embaixador brasileiro em Honduras, Zenik Krawctschuk.

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