Morte de chefe militar rebelde ameaça dividir insurgentes na Líbia

Membro das forças de general assassinado acusa milícia islâmica de executá-lo

Agência Estado

29 de julho de 2011 | 15h45

'O sangue dos mártires não se irá em vão', gritavam os rebeldes

 

BENGHAZI - Um membro das forças especiais dos insurgentes da Líbia acusou nesta sexta-feira, 29, alguns dos seus colegas pelo assassinato do chefe militar dos rebeldes, Abdel-Fattah Younis, morto a tiros em Benghazi na quinta-feira sob circunstâncias não muito claras. O insurgente Mohammed Agoury disse que estava presente quando integrantes de uma facção rebelde, conhecida como Brigada dos Mártires de 17 de Fevereiro, foi até o centro de operações de Fattah Younis, nos arredores de Benghazi, e levou o comandante, detido para interrogatório. Agoury disse que tentou acompanhar Fattah Younis, mas foi impedido.

 

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"Younis confiou neles e foi sozinho. Eles nos traíram e mataram nosso chefe", ele disse. A Brigada dos Mártires de 17 de Fevereiro é um grupo formado por centenas de civis que tomaram armas quando começaram os levantes contra o governante líbio Muamar Kadafi em Benghazi. Seus combatentes participam de batalhas na linha de frente contra as tropas de Kadafi, mas também funcionam como uma força de segurança paramilitar para os insurgentes no leste da Líbia.

 

Alguns dos chefes da brigada vem do Grupo Combatente Islâmico Líbio, uma organização que em 1998 lançou uma campanha violenta para derrubar Kadafi. Na época, rebelião foi esmagada.

 

Agoury afirma que a Brigada era contrária a Younis, porque o chefe militar havia participado durante décadas do regime de Kadafi e participou também da repressão contra os islâmicos líbios na década de 1990. Younis desertou para os insurgentes quando a rebelião estourou em Benghazi em fevereiro deste ano, trazendo para os insurgentes suas forças militares. Mas os islâmicos sempre suspeitaram dele. "Eles não confiam em ninguém que fez parte do regime de Kadafi e querem vingança", disse Agoury.

 

Um partidário da brigada disse que seu grupo tem provas de que Younis era um "traidor". Segundo ele, "a prova será exibida em poucos dias". Ele falou sob anonimato. O corpo de Younis, bem como o de dois dos guarda-costas do comandante, foi encontrado nesta sexta-feira, na periferia de Benghazi. Os três corpos foram queimados.

 

Vários tiroteios irromperam pela cidade quando a morte de Younis ficou conhecida. A confusão e a suspeita se espalharam por Benghazi, onde os insurgentes montaram seu governo provisório.

 

Milhares marcharam mais tarde na procissão funeral do comandante assassinado, com a bandeira tricolor e monarquista dos insurgentes líbios sobre o caixão. Seguindo a tradição islâmica, o corpo foi sepultado rapidamente. Pelo menos 300 soldados insurgentes dispararam salvas em honras a Younis no cemitério. O coronel Suleiman Mahmoud, vice de Younis, assumiu o comando em Benghazi. As informações são da Associated Press.

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